Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 28/09/2021
Na antiguidade, durante a menarquia, a mulher era privada do convívio social por ser considerada impura. Atualmente, no Brasil, apesar de alguns estigmas e tabus sobre a menstruação terem sidos superados, muitas mulheres ainda enfrentam dificuldades durante o período menstrual, pela falta de acesso à itens de higiene pessoal e à estrutura sanitária adequada. Nesse sentido, convém analisar os principais fatores, as consequências e as possíveis medidas relacionadas a esse viés social.
Diante desse cenário, vale ressaltar a situação socioeconômica como um fator preponderante para a problemática em questão. Acerca disso, é pertinente citar o pensamento do sociólogo e geógrafo Milton Santos, no qual ele declara que ‘‘Embora a globalização tenha sido responsável pela dinamização do mundo, foi excludente, uma vez que intensificou as desigualdades sociais’’. Isso se confirma, tendo em vista a precariedade vivenciada por várias mulheres no país, que não possuem condições mínimas para lidarem com a menstruação. Como prova, nota-se a falta de dinheiro para comprar absorventes e a ausência de saneamento básico para manter os cuidados essenciais com o corpo. Dessa forma, a pobreza, torna o período menstrual um grande empecilho para muitas brasileiras.
Outrossim, é imperioso citar os problemas desencadeados por esse entrave. De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, todo cidadão tem direito à saúde e à dignidade humana. Embora o Brasil seja signatário desse documento, ele deturpa essa garantia, uma vez que não oferece apoio para as mulheres durante a menstruação. Por não possuírem recursos, muitas recorrem à produtos improvisados para conter o sangue menstrual, tais como pedaço de pano sujo, jornais e folhas de árvores, que podem levar à graves infecções vaginais. Consequentemente, vê-se que a negligência do Estado, coloca a saúde da mulher em risco.
Destarte, considerando os aspectos mencionados, fica evidente e necessidade de medidas para coibir esse cenário. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde, promover políticas públicas eficazes, por meio da distribuição gratuita de absorventes e criação de infraestrutura sanitária adequada em locais públicos para mulheres que vivem em vulnerabilidade, a fim de que essas possam encarar a menstruação com maior higiene e segurança. Só então, será factível superar a pobreza menstrual, garantir o bem-estar e a saúde da mulher.