Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 28/09/2021

Pobreza menstrual ainda é pobreza

No ano de 2016, um grupo de garotas nepalenses tiraram fotos de tudo que elas eram proibidas de tocar por estarem menstruadas, segundo a religião de seus pais. Entretanto apesar do Brasil não ter costumes tão rígidos, o paradigma da menstruação não se restringe ao Nepal, fazendo com que mulheres se sintam envergonhadas de trocar informações sobre seus corpos ou que nem chegue a recebê-las.

Embora as gerações atuais sejam engajadas em tornar a menstruação uma pauta normal, o patriarcado criou raízes profundas na sociedade para que haja nojo e vergonha de seus próprios ciclos. Um exemplo de atos simples que reforçam essa ideia na mente feminina, é o comercial de absorvente que ao mostrar seu poder de absorção utiliza um líquido azul ao invés de simular o sangue. Isso demonstra opiniões infiltradas no cotidiano que dificultam conversas sobre corpos femininos e debates sobre resoluções de problemas.

Ademais, a pobreza menstrual é também um reflexo da desigualdade social do Brasil. Apesar de algumas mulheres não se sentirem confortáveis para discutir sobre menstruação, outras não tem se quer a oportunidade. Já que enfrentando problemas como fome e moradia irregular, a sua saúde deixa de ser prioridade. Portanto, se faz necessário lembrar que pobreza menstrual é, em primeiro lugar, pobreza.

Por fim, é necessário agir com equidade para acabar com esse problema. O Ministério da Saúde deve agir em parceria com ONG’s para fazer com que absorventes gratuitos e informativos sobre menstruação e corpo feminino cheguem nas camadas mais carentes, além de manter a distribuição regular em escolas e postos de saúde para que assim, todos tenham acesso a higiene básica. Contudo, os pais e familiares também tem uma função: tornar o ato de menstruar algo normal por meio de conversas e visitas regulares ao ginecologista. Tendo como resultado um ser humano sem entraves para tratar de sua própria saúde.