Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 01/10/2021

O Documentário “Absorvendo o Tabu”, de Rayka Zehtabchi, retrata, na Índia, o tabu sobre a menstruação e o processo de implementação de uma máquina que produz absorvente biodegradáveis. Nesse contexto, elucida-se a necessidade de maior atenção ao aspecto da pobreza menstrual, a qual além de estar suscetível á saúde, também é alvo de estigmatização por parte da sociedade. Sendo assim, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da falta de conhecimento e da escassez de investimentos.

Deve-se pontuar, de início, que a falta de conhecimento sobre o tema, configura-se como um grave empecilho no que diz respeito aos desafios no combate a pobreza menstrual. Nesse sentido, de acordo com o pensamento do filósofo Schopenhauer, os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Tal pensamento justifica a pobreza menstrual, se as pessoas não têm acesso às informações ou vivem em uma sociedade cultural patriarcal que demoram de naturalizar a saúde da mulher, sua visão será limitada, e isso contribui para a manutenção de preconceitos relacionados á menstruação, o que dificulta a resolução do problema. Dessa forma, faz-se essencial combater a desinformação para que essa barreira seja resolvida.

Outrossim, surge a questão da escassez de investimentos em infraestrutura que intensifica a gravidade do estorvo. A filósofa alemã Hannah Arendt defende que o espaço público seja preservado para que se argumentem as condições da prática da liberdade e da manutenção da cidadania. Ou seja, sem uma infraestrutura pública, o cidadão é prejudicado. Esse aspecto está presente de maneira decisiva no que tange aos desafios de cor do combate à pobreza menstrual, uma vez que a falta de investimento governamental em saneamento básico enfraquece essa infraestrutura, acaba dificultando a resolução dessa questão. Logo, é evidente a grande importância de políticas voltadas à saúde da mulher, haja vista que a falta delas aumentam a tribulação na qualidade de vida de pessoas do sexo feminino.

Torna-se evidente, portanto, que os caminhos para a luta do acesso a infraestrutura sanitária apresentam entraves que necessitam ser revestidos. Como solução, as lideranças do bairro, em parceria com a prefeitura, devem elaborar abaixo-assinado e cartas exigindo do poder público maior direcionamento de verbas á resolução da pobreza menstrual, por meio de documentos digitalizados e enviados ao site ‘‘fala.br’’, plataforma de ouvidoria da controladoria-Geral da União. Para que, o governo possa se conscientizar acerca da destinação da verba pública e da importância de solucionar com urgência o combate à pobreza menstrual. A partir dessas ações, o Brasil poderá superar os desafios ao combate da pobreza menstrual.