Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 14/10/2021
O “Mito da Caverna”, alegoria escrita por Platão, relata como os seres humanos se encontravam prisioneiros em uma caverna, em que estavam habituados a terem somente uma ilusão do que observassem como se fosse a verdadeira realidade. De maneira análoga ao presente, a questão dos desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil pode ser bem representada por esse mito, uma vez que este é um problema que vive às sombras da sociedade, dado que a desigualdade social e a falta de políticas públicas explicam bem essa temática.
Diante desse cenário, pode-se afirmar que a disparidade social é uma das causas dessa adversidade. Nessa perspectiva, o escrito Ariano Suassuna declara que “É muito difícil vencer a injustiça secular que dilacera o Brasil em dois países distintos: o país dos privilegiados e os país dos despossuídos”. Nesse viés, é perceptível que a ausência de dinheiro para adquirir itens de higiene para o período menstrual, como os absorventes, tem um impacto direto na ampliação da pobreza menstrual. Portanto, é inadmissível que este impasse perdure no corpo civil, visto que existem leis nacionais que visam combatê-lo.
Outrossim, outra causa para a configuração desse óbice é a ineficácia de políticas públicas. Nesse sentido, o sociólogo Zygmunt Bauman vaticinou que o Estado está em crise. Sob essa lógica, para atender as demandas do capital, esse negligencia os ditames que são de sua responsabilidade. Por esse lado, é notório que a falta de investimento no setor da saúde, voltado para a distribuição gratuita de absorventes e a escassez de debates acerca da menstruação, fazem com que este imbróglio esteja cada vez mais presente na população. Logo, apesar dos inúmeros avanços constitucionais, infelizmente, ainda há uma deficiência social e estrutural, o que faz com que essa problemática ainda perdure na Nação.
Destarte, é necessário que medidas sejam tomadas para que este entrave deixe de existir na atualidade. Para tanto, o Estado, como ente provedor do bem-estar social, deve criar programas sociais para a distribuição de itens de higiene para o período menstrual, por meio do direcionamento de verbas para que esta ação ocorra em escolas e em postos de saúde, com foco na comunidade mais carente, com o intuito de garantir uma melhor qualidade de vida para as mulheres. Além disso, as escolas precisam debater a temática da menstruação nas salas de aula, com o fito de trazer informações sobre essa questão, a qual deve deixar de ser um tabu na coletividade. Somente assim, as pessoas sairão da caverna e enxergarão a verdadeira realidade.