Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 23/10/2021
No documentário “Absorvendo o Tabu”, disponível no catálogo da Netflix, é mostrada a vulnerabilidade que as indianas são expostas no que tange ao período menstrual, sendo criado um projeto de confecção de absorventes para atender as cidadãs. Analogamente, a realidade apresentada na Índia não é diferente na sociedade brasileira, a qual tem que lidar com os desafios no combate à pobreza menstrual. Sob essa perspectiva, percebe-se a consolidação de um grave problema, em virtude da negligência governamental e do estereótipo construído socialmente do ato de menstruar.
Na primeira instância, a falta de apoio estatal é um fator determinante para a permanência de empecilhos relacionados à temática. Desse modo, o livro “Cidadão de Papel”, do escritor Gilberto Dimenstein, aborda que a legislação brasileira é ineficaz, visto que, embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes, não se concretiza na prática. Prova disso, é a escassez de políticas públicas que contemplam a realidade das mulheres e que não são voltadas ao cumprimento do Projeto de Lei de nº. 4968/2019, o prevê a distribuição gratuita de absorvente para mulheres em situação de vulnerabilidade. Logo, tal fato acaba confirmando que o acesso a produtos de higiene deve ser tratado com uma questão de saúde pública, para que as mulheres deixem de vivenciar situações de constrangimento, como deixar de ir para a escola por não terem condições de comprar absorvente ou até mesmo utilizar miolo de pão, panos e jornais como substituintes do absorvente.
Outrossim, vale destacar o estereótipo sobre a menstruação como grande contribuinte na problemática. Na índia, uma mulher, no período menstrual, é vista como impura e indigna, segundo relatos de tais, elas se sentem sujas. Dessa forma, de acordo com o físico Albert Einstein, o qual afirma que é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito enraizado, observa-se que por causa desse fato opressor, construído historicamente e culturalmente, muitas meninas possuem impasses ao lutar contra à pobreza menstrual. Isso porque, diversos movimentos femininos são ridicularizados e não atendidos pela sociedade. Em suma, além de maior participação do governo, é fundamental erradicar esse tabu da menstruação e garantir mais direitos sociais assegurados pela Constituição Federal.
Portanto, urge que o Ministério da Saúde promova uma política pública nacional de superação da pobreza menstrual, que seja destinada à distribuição gratuita de itens básicos para as mulheres, como absorventes, coletores menstruais e tampões íntimos, por meio do direcionamento de verbas governamentais e de arrecadações de produtos de higiene menstrual, a fim de alcançar uma sociedade mais justa e saudável. Além disso, cabe à mídia publicar que desmistifiquem esse preconceito enraizado, com intuito de atenuar a visão estereotipada da menstruação.