Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 01/10/2021
Desde o fim da Guerra Fria, no final do século passado, cada vez mais ações sociais ganham forças, entre eles o feminista. Nesse contexto, o movimento que busca a igualdade de gênero é uma das frentes mais importante no combate aos agravamentos da pobreza menstrual, que afeta negativamente a sociedade. Assim, é necessário avaliar a ausência da acessibilidade higiênica no ambiente rural e a ineficiência do sistema educativo como causas desse impasse.
Sob esse viés, é importante ressaltar a inacessibilidade do saneamento básico no ambiente rural como um agravador da pobreza menstrual. Segundo o site O Globo, centenas de indivíduos do ambiente natural vivem sem a disponibilidade de encanamento e outros serviços essenciais para a qualidade sanitária. Nesse sentido, nota-se que desde a Revolução Industrial, não houve desenvolvimento sanitário no campo como nas cidades, provocado por uma discrepância de investimentos nas áreas habitadas, visto que era necessário, pela lucratividade, uma melhoria na qualidade de vida no ambiente urbano do que no rural. Sob essa visão, torna-se cada vez mais difícil que as pessoas que sangram tenham acesso aos cuidados básicos desse período, como o absorvente. Dessa forma, contribuindo para a miséria menstrual no cenário brasileiro.
Além disso, a ausência de eficiência no processo educacional também contribui para aprofundar a problemática. Na série “Anne with E”, a personagem principal, Anne, se sente desnorteada quando passa pela menarca, pensando que é algo abominável. Fora da ficção, esse cenário torna-se o adequado para a propagação de mentiras sobre a natureza biológica, pois a informação é essencial para contribuir com pessoas com pouca condição financeira a identificar o problema e, posteriormente, pedir ajuda. Nessa visão, torna-se inadequada a ausência da explicação sobre a menstruação nas grades horárias brasileiras, visto que mais de 50% da população nacional é composta por indivíduos que passam por esse ciclo hormonal. Dessa maneira, a escassez menstrual tem, como uma segunda causa, relação com a ineficiência sistemática da educação brasileira.
Portanto, é preciso reverter o atual quadro de pobreza menstrual no Brasil. Nessa perspectiva, o Ministério da Saúde deve, por meio de financiamento, disponibilizar absorventes gratuitos ao povo, inclusive o rural, por meio do SUS – Sistema Único de Saúde -, com objetivo de promover acesso aos direitos básicos das pessoas que menstruam. Ademais, cabe ao Ministério da Educação – responsável pela questão educacional no Brasil – promover, por meio da modificação na grade horária, a informação para a nação para tornar esse assunto cada vez mais cotidiano. Por fim, com as medidas em vigor, é esperado que acontecimentos como o de Anne permaneçam na ficção.