Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 03/10/2021
“Anne With E”, é um seriado que retrata a vida de uma jovem no final do século XIX, em um de seus episódios ela menstrua pela primeira vez e manchas suas roupas de sangue. Fora da ficção, essa é uma realidade na vida de meninas na sociedade brasileira, que ocorre não somente no primeiro ciclo menstrual, mas também os que se seguem, por não possuírem objetos de cuidado menstrual. Diante desse cenário, faz-se se as medidas que atenuem esse quadro, presente em grupos vulneráveis e que não oferece apoio do sistema público.
É importante ressaltar, de início, que a desigualdade social é uma das causas do problema, considerando que isso afeta locais sem infraestrutura. Nessa lógica, uma pesquisa feita pela Unicef, apresenta que 713 mil meninas não tem banheiro em sua residência, isto é, essas pessoas não possuem meios de higienização mesmo fora do período menstrual. Fica claro então, que esse contexto atinge principalmente uma população desprotegida, pela insuficiência de ações governamentais que não são serviços básicos.
Ademais, é visível que o poder público não cumpre seu papel enquanto agente fornecedor de leis. Embora a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 6 °, garantir o direito à saúde, isso não acontece de forma efetiva, uma vez que muitos jovens ainda não têm acesso a itens básicos de saúde. Dessa forma, depreende-se que os tratamentos precários oferecidos pelo Estado ferem os direitos da parcela da população que precisa de recursos, deixando-as em uma situação inaceitável.
Frente a tal adversidade, faz-se urgente que as atitudes sejam tomadas pelas autoridades competentes. Para isso, o Ministério da Saúde deve disponibilizar absorventes e coletores menstruais reutilizáveis, pois assim, o custo será reduzido e terá baixo impacto ambiental. Essa medida tem como possibilitar o acesso aos elementos básicos de higiene. Através dessas ações concretas, uma narrativa do seriado “Anne With E” não será a realidade de muitas garotas.