Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 03/10/2021
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o acesso à higiene menstrual é um direito que precisa ser tratado como uma questão de saúde pública e de direitos humanos. Por outro lado, no Brasil, observa-se uma persistente pobreza menstrual, a qual mulheres e homens trans apresentam dificuldades na obtenção de itens de salubridade básica, como absorventes. Sob essa perspectiva, nota-se que esses empecilhos ocorrem devido uma falta de recursos financeiros por parte da nação, além do descaso público para a promoção da cidadania.
Em primeira análise, de acordo com dados da ONU, o Brasil apresentou cerca de 10% da população em condição de extrema pobreza no final de 2020. Assim sendo, muitas meninas, que vivem nessa realidade, apresentaram entraves para a compra de produtos de higiene, já que esses itens, como os absorventes, serão vistos como supérfluos diante da compra de alimentos, por exemplo. Dessa maneira, os escassos recursos financeiros prejudicam a vida desses indivíduos, já que sofreram, também, dificuldades para trabalhar ou estudar. Isso é percebido por uma pesquisa feita pela antropóloga Mirian Goldenberg, a qual concluiu que cerca de 25% das mulheres já faltaram a aula devido a menstruação, mostrando o impacto do inacesso à higiene menstrual para a formação acadêmica integral das alunas.
Outrossim, de acordo com o sociólogo britânico Thomas Marshall, a cidadania só é plena caso apresente direitos civis, políticos e sociais, como o bem estar econômico e social. Entretanto, percebe-se que o poder público destoa deste ideal, haja vista o descaso perante esta promoção da cidadania, já que não promove políticas públicas para o combate a pobreza menstrual. Dessa forma, a temática não é discutida, apoiada ou vista com seriedade, fazendo com que o dilema não seja solucionado. Consequentemente, diversas mulheres acabam tendo a dignidade humana deteriorada, pois não apresentaram condições básicas de promoção da saúde própria.
Dessarte, medidas são necessárias para o combate à pobreza menstrual no Brasil. Em vista disso, cabe ao Ministério da Saúde, em apoio ao Governo Federal, propor uma lei que garanta a distribuição de absorventes femininos em lugares públicos. Isso pode ser realizado por meio dessa norma, que deverá ser entregue e assinada pela Câmara dos Deputados com o objetivo de distribuir absorventes em postos de saúde e escolas públicas brasileiras. A partir dessa intervenção, buscar-se-ia a formação de uma nação mais saudável e digna, promovendo uma cidadania mais plena, como a proposta por Marshall, mitigando a pobreza menstrual.