Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 29/10/2021

No documentário da Netflix " Absorvendo o tabu" é retratado a dificuldade vivida pelas mulheres indianas em obter acesso a absorventes, devido à pobreza  que elas se encontram. Na realidade brasileira, essa situação se mantém, haja vista a desigualdade social e a lacuna educacional presente na sociedade, contribuindo para a existência da pobreza menstrual no país. Tal questão social pode ser atenuada com a  educação adequada e investivento governamental.

Em primeira análise, é importante evidenciar o acesso aos direitos sociais somente mediante a renda em uma sociedade  capitalista. Sendo assim, a desigualdade social age como barreira na democratização do acesso a higiêne mestrual - garantida pela ONU, Organização das Nações Unidas, como uma gama do direito humano na área da saúde -, visto que, sem a renda adequada se torna impossível a aquisição de absorventes, que são de uso indispensável mensalmente, já que ele possibilita a manutenção da higiene para quem tem útero, por essa razão, o filósofo Jean Jacques Rousseau defende a manutenção do contrato social, para que artigos essenciais cheguem a todos os membros da sociedade, a fim de minimizando os problemas criados pela concentração monetárias.

Outrossim,  como retratado no livro “Carrie, a estranha” do Stephan  King, na qual uma adolecente se depara com sua primeira menstruação e tem um ataque de pânico, pois a mesma não sabe a razão de estar sangrando, muitas meninas sofrem com a falta de conhecimento sobre o próprio corpo, contribuindo para a pobreza menstrual no Brasil. Dessa forma,  como afirma  o sociólogo brasileiro Paulo Freire, a educação é o único meio para transformar a sociedade, pois sem ela tampouco a sociedade muda, a falta de conhecimento sobre o ciclo menstrual é um pilar que mantém essa situação no país, pois ocorre a estigmatização sobre a menstruação o que cria o tabu e a consequente problematização sobre algo natural, intensificando assim, a pobreza menstrual.

Em síntese, é notório a desigualdade social e a lacuna educacional como fatores que impedem o fim da pobreza menstrual. Portanto, cabe ao Ministério da Saúde possibilitar o acesso democrático a kits de higiêne pessoal em postos públicos de saúde, por meio de incentivos financeiros, para que, desse modo pessoas de baixa renda possam ter acesso a meios que possibilitem a manutenção da higiêne mestrual. Ademais, é preciso que as escolas públicas insiram em sua grade curricular a matéria “saúde”, que deve abordar assuntos sobre a saúde pessoal, como o ciclo mentrual, incluindo como usar de forma correta materias para higiêne, a fim de que o conhecimento chegue em todas das partes do Brasil e possibilite o fim da pobreza menstrual.