Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 06/10/2021

As indústrias de higiene e de itens pessoais constantemente modernizam e aprimoram seus produtos, sobretudo no último século. No entanto, itens básicos, como, por exemplo, os absorventes, ainda não estão dispostos a toda a população. No Brasil, a pobreza menstrual -termo que caracteriza a falta de acesso a esses itens - é uma realidade a ser enfrentada. Nesse sentido, alguns desafios ainda precisam ser combatidos, como a pouca mobilidade governamental e a baixa disponibilização de informações para a sociedade.

Nesse cenário, a negligência do Estado em suprir a necessidade de absorventes, itens pessoais e sanemanto adequado colabora para a manutenção da desigualdade, e, ainda mais, viola os direitos humanos. Em consonância, um estudo realizado e publicado pela Unicef e pelo Fundo de População das Nações Unidas, evidencia a urgência de políticas públicas brasileiras para o combate à pobreza menstrual. Ademais, a falta de produtos eficientes pode resultar em problemas de saúde, por exemplo, infecções, e danos emocionais, de acordo com o documento. São evidentes, com isso, os danos resultantes do descaso governamental que podem afetar não só o período menstrual da mulher, mas a sua saúde e a sua dignidade.

Outrossim, a escassez de informações sobre a menstruação e sobre a dignidade menstrual agrava a problemática na sociedade. Isso fica evidente em uma publicação do site Politize, onde consta que a pobreza menstrual abrange também a falta de instruções sobre a temática, além disso, o tema ainda é tratado de forma preconceituosa. Dessa forma, a censura que envolve a menstruação dificulta sua discussão social, e, consequentemente, a busca por igualdade de acesso aos itens básicos é prejudicada. Em suma, o combate só poderá ser efetivo com a conscientização da população e com a normalização da menstruação.

Logo, é evidente a emergência em educar e informar a sociedade, visando mitigar os empecilhos à resolução do problema. Isto posto, cabe ao Ministério da Saúde criar campanhas educativas e informacionais - com linguagem simples e acessível - por meio de parceria com emissoras televisivas. Ainda, as campanhas deverão cumprir o papel de conscientização e de incentivo à doação. Objetiva-se, com isso, diminuir o preconceito menstrual e aumentar as discussões sociais e as trocas de informações entre a população. Além disso, o referido Ministério deverá disponibilizar em hospitais e postos públicos itens de higiene menstrual mensal para mulheres de baixa renda, a fim de reduzir a desigualdade e preservar dignamente a saúde física e emocional dessa minoria.