Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 05/10/2021
O documentário indiano “Absorvendo o Tabu” aborda o estigma em torno da menstruação na Índia, e as suas implicações para a saúde e a vida das mulheres. Todavia, essa conjuntura não se limita apenas ao contexto indiano, sendo a pobreza menstrual também uma triste realidade brasileira. Diante disso, torna-se fundamental a discussão sobre o silenciamento e a falta de legislação perante essa problemática.
Em primeiro lugar, a falta de diálogo é um dos principais desafios no combate à indignidade menstrual. Sendo que, o tabu, o qual permeia esse tema tem raízes históricas. A exemplo disso, na Grécia Antiga, as mulheres em seus períodos menstruais eram consideradas impuras e enfeitiçadas. Assim, foi construindo-se uma resistência cada vez maior ao assunto, e consequentemente, passou a predominar a falta de informação e debate. O que, por sua vez, colabora para que muitas meninas e mulheres sejam envergonhadas e alheias às suas próprias necessidades biológicas.
Além disso, a ausência de amparo legislativo para o acesso à itens de higiene menstrual é outro fator que aprofunda esse impasse. Nessa perspectiva, o fato de absorventes não serem oferecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em escala nacional, colabora para que muitas mulheres não consigam ter acesso. Ademais, esse objeto não possui isenção tributária, como artigo de higiene básica, o que encarece o produto. Desse modo, faz-se fundamental o acolhimento das leis para romper com esse quadro de carências.
Portanto, para reduzir a pobreza menstrual no Brasil, é viável que o Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Educação, promova oficinas e debates sobre menstruação e saúde da mulher, dentro do ambiente escolar, com o apoio de professores e profissionais da saúde. Bem como, essas ações podem ser abertas à comunidade no geral, com o objetivo de ampliar e normalizar a discussão sobre o assunto. Outrossim, o governo federal pode por meio de emendas constitucionais isentar de tributos os produtos relacionados à higiene menstrual e por meio do SUS realizar a distribuição desses objetos gratuitamente para pessoas de baixa renda. Dessa forma, será possível de fato absorver o tabu sobre menstruação e garantir dignidade menstrual às mulheres.