Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 07/10/2021

O escritor Carlos Drummond de Andrade, no seu poema “No meio do caminho”, retrata, de modo figurado os contratempos que o ser humano enfrenta em sua jornada. Semelhantemente, tem-se os desafios ao combate à pobreza menstrual no Brasil, haja vista o tabu e a negligência estatal.

Em primeiro lugar, é importante dizer que o preconceito em relação a mestruação é um fator limitante. Nessa perspectiva, segundo o filósofo Cícero “a ignorância é a maior enfermidade do gênero humano”, tal afirmação  faz-se verdadeira, pois a a falta de discussão acerca do assunto gera desconhecimento e consequentemente, discriminação. Assim, lamentavelmente, percebe-se a persistência da problemática.

Ademais, é importante dizer que a displicência governamental catalisa a situação. Nesse sentido, o sociólogo Raymundo Faoro em sua teoria do Monstro acrocéfalo, destaca o excesso de normas em detrimento de ações,  uma vez que o Monstro - país, pensa muito e faz pouco. Esse pensamento concretiza-se no Brasil na medida em que as atuais políticas são insuficientes para combater a pobreza menstrual, pois não há debate acerca do assunto e investimento para esse fim.Dessa forma, muitas mulheres e meninas permanecem em situação de vulnerabilidade, devido a inoperância do governo.

Infere-se, portanto, que é dever do Estado em parceiria com o Ministério  da Educação gerar debates em escolas de nível médio e fundamental, públicas e privadas, por meio de profissionais da saúde, a fim de quebrar o tabu acerca da menstruação . Além disso, o Ministério Público deve criar uma lei, a qual garanta a livre distribuição de absorventes e planfetos informativos sobre o ciclo menstrual em postos de sáude de comunidades carentes. Logo, a jornada do indivíduo não será impedida pela pedra no meio do do caminho, como desejava Drummond.