Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 05/10/2021

O documentário ‘‘Absorvendo o tabu’’ conta a história da implantação de uma fábrica de bioabsorventes em uma vila indiana e como a mesma melhorou a qualidade de vida das mulheres locais. Nesse sentido, a narrativa revela uma situação também vivenciada por pessoas que menstruam no Brasil: a precariedade de educação menstrual e os prejuízos da falta de acesso a itens básicos de higiene.

Sob essa perspectiva, faz-se necessário analisar a escassez de informações a respeito da problemática. Em definição, a menstruação é a descamação das paredes do útero quando não ocorre fecundação. Nesse viés, o ato de menstruar é biologicamente natural para todas as pessoas com útero, entretanto, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas de 2017, cerca de 70% das mulheres desconhecem a menstruação até a menarca, sendo assim, como algo que é inerente a uma grande parcela da humanidade pode, ainda, ser tratado como um tabu?

Ademais, vale ressaltar como a pobreza menstrual afeta a vida de pessoas que menstruam. Segundo a ativista Letícia Bahia, diretora executiva do projeto Girl Up, uma em cada quatro adolescentes deixa de ir à escola por não ter condições de comprar absorventes. Paralelamente, o jornal Fantástico, da Rede Globo, denunciou o caso de presidiárias que utilizavam miolos de pão por não terem acesso aos itens básicos de cuidado pessoal. Como consequência disso, não só a educação como também a saúde e segurança destas pessoas são colocadas em risco. Logo, é imprescindível que medidas sejam tomadas para reverter este impasse.

Para combater a pobreza e garantir a dignidade menstrual no Brasil, urge que o Ministério da Saúde, representado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, crie, por meio de capacitação de profissionais e palestras em escolas do ensino básico, um programa que irá promover a informação sobre a higiene pessoal. Somente assim, poderemos iniciar uma mudança na realidade destes indivíduos brasileiros.