Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 09/10/2021

A Constituição Federal de 1988, promulgada com base nos Direitos Humanos, prevê como garantia fundamental a dignidade da pessoa humana. Entretanto, a pobreza menstrual existente no país contrasta essa máxima, já que priva inúmeras pessoas do acesso a itens básicos de higiene. Essa situação se deve, principalmente, à falta de informação e à omissão governamental.

Primordialmente, cabe pontuar a desinformação do corpo social como influenciadora do problema. Sob essa ótica, segundo o físico e pensador Albert Einstein, a mente do cidadão a qual se abre a um novo conhecimento reproduz verídicas mudanças sociais e jamais voltará ao seu tamanho inicial. Nesse sentido, a ausência de discussões acerca das dificuldades e das necessidades que as mulheres enfrentam no período menstrual, principalmente as de baixa renda, contribue, fortemente, para manutenção de estigmas relacionados à menstruação, o que impossibilita a mobilização da sociedade no combate à pobreza menstrual. Dessa forma, percebe-se a necessidade de ações que alterem esse quadro.

Outrossim, vale ressaltar a responsabilidade do governo na resolução da pobreza menstrual. Relativo a essa proposição, de acordo com filósofo Rousseau, o Estado ao não cumprir sua função -mediar as relações dos indivíduos com intuito de evitar as desigualdades sociais- é responsável pelo abismo social entre os grupos mais e menos abastados. Sendo assim, a ausência de políticas públicas que visem garantir às mulheres a obtenção de infraestrutura e de produtos para cuidados com a menstruação resulta no atual cenário de desamparo em que elas se encontram. Desse modo, é inadmissível que um país signatário dos Direitos Humanos não seja capaz de assegurar um direito constitucional.

Portanto, cabe a mídia, instrumento responsável pela disseminação de informações, em parceria com o Governo Federal, inserir a discussão sobre a menstruação e as necessidades que envolvem esse período, por meio das redes sociais e relatos em filmes e séries, a fim de erradicar a pobreza menstrual. Além disso, o Governo deve proporcionar às mulheres absorventes e infraestrutura adequada para higienização. Feito isso, a carta Magna de 1988 será ,devidamente, respeitada.