Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 13/10/2021
Menstruação é quando, após a ausência da nidação ovular, ou seja, quando não há fecundação dos gametas, o endométrio desgruda da parede uterina, sendo uma resposta natural do corpo humano no ciclo reprodutivo. Dessa forma, sendo um processo da natureza reprodutiva humana, foi necessária a criação de métodos para adaptação, como absorventes e coletores menstruais, evitando que esse atrapalhasse o cotidiano feminino. Entretanto, a pobreza menstrual é um desafio evidente no Brasil, uma vez que esse não dispõe de políticas públicas que arquem com essa questão de saúde pública. Além disso, tais desafios são impulsionados pela ignorância estatal em seu papel de promotor do bem-estar, e da estigmatização social perante essa questão.
Primeiramente, segundo dados da CNN Brasil, canal televisivo, 4 milhões de meninas sofrem com a privação de higiene, incluindo falta de acesso a absorventes e a sabonetes. Nesse prisma, é notório o impacto sociocultural que a pobreza menstrual traz, afinal, jovens em fase escolar, que se encontram em situação financeira precária, perdem até um mês de aula por ano devido a ausência de condições de comparecer à escola no período menstrual. Desse modo, vê-se essencial a iniciativa para reversão desses dados, garantindo saúde e acesso à educação, direitos sociais previstos pelo artigo 6 da Constituição Federal, promulgada em 1988.
Ademais, devido a mitos e interpretações culturais espalhados ao longo da história mundial, a menstruação carrega grande estigma - como a ideia de ser algo sujo e impuro. Dessa forma, essa imagem errônea sobre a menstruação pode ser demonstrada através das propagandas de absorvente na rede televisiva, a qual retrata o sangue menstrual na cor azul, visando não se assemelhar ao sangue real. Dessa maneira, o tabu reproduzido diariamente distancia a população das informações corretas e contribui para a ignorância popular, promovendo a pobreza menstrual.
Portanto, em análise dos dados supracitados, é precípua a busca de uma solução para a problemática. Logo, o Governo Federal deve aprovar, por meio do Ministério da Saúde em parceria com o SUS - Sistema Único de Saúde, leis que visem a distribuição de itens de higiene nas escolas e em unidades de saúde, garantindo, assim, acesso às camadas mais atingidas pela pobreza. Paralelamente, com auxílio de especialistas na área da saúde feminina - como médicos ginecologistas -, a mídia deve contribuir para a desconstrução de mitos sobre a menstruação, promovendo diálogo livre e correto em suas redes. Por consequência dessas iniciativas, a pobreza menstrual brasileira poderá ser combatida, garantindo maior bem-estar para a população.