Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 13/10/2021

A Organização Mundial de Saúde define sáude como um estado completo de bem estar físico, mental e social. Por esse ângulo, observa-se que, no Brasil, muitas mulheres não desfrutam de uma qualidade de vida social, uma vez que não possuem informação e nem acesso a itens básicos de higiene durante o período menstrual. Assim, a fim de combater esse problema, deve-se enfrentar os desafios relacionados ao tabu e à negligência estatal.

Inicialmente, um dos maiores obstáculos a ser resolvido para minimizar a pobreza menstrual é deve-se ao tabu. Diante disso, o documentário  “Absorvendo o Tabu” evendencia como a menstruação ainda é um assunto velado no país por ser associado à saúde íntima e à sexualidade da mulher, e por ser visto por muitas pessoas como desagradável, sujo e asqueroso, e não como um processo biológico natural da mulher. Dessa forma, a vedação desse tema contribui para perpetuar o preconceito, a desinformação sobre os cuidados essenciais durante o período menstrual, além de diminuir a visibilidade sobre a necessidade de muitas mulheres e as dificuldades que elas suportam.

Além disso, outro desafio a ser enfrentado verifica-se pelo alheamento do Estado em relação à pobreza menstrual. Em vista disso, em 2021, o presidente Jair Bolsonaro vetou o projeto que lei que propunha a distribuição gratuita de absorventes, mesmo após grande mobilização social. Nesse sentido, esse proceder impacta diretamente a vida de muitas mulheres e meninas que vivem em situações de vulnerabilidade social, uma vez que essas não possuem recursos financeiros para adquirir absorventes e coletores menstruais e,  por isso, fazem a substituição com pedaços de jornal e folhas de árvores. Dessa forma, esse grupo social corre o risco de terem infecções, além de serem privadas de liberdade de irem a locais como a escola, por exemplo, por não terem uma higiene adequada.

Portanto, com vistas a solução desse problema, é necessário que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos realize campanhas de conscientização na mídia. Essa medida deve ser feita por meio do discurso de  médicas ginecologistas que possuem grande visibilidade, como a ex participante do reality show Big Brother Brasil Marcela McGowan, e que aborde os cuidados com a menstruação, e a importância de compreender esse processo com naturalidade e não de forma repulsiva, com o objetivo de desconstruir o tabu em torno da temática. Ademais, cabe ao governo federal destinar parte das verbas do Sistema Único de Saúde para promover a distribuição gratuita de absorventes e coletores menstruais nos postos de saúdes e nas escolas, com a finalidade de diminuir a desigualdade e proporcionar um período menstrual mais higiênico, humano e digno para as mulheres.