Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 09/10/2021
Segundo Karl Marx, " A história de toda sociedade até hoje tem sido a história das lutas de classes". Reflexo de uma sociedade patriarcal, as mulheres tiveram de agarrar-se em manifestações e lutas para terem direitos na sociedade, e dessa forma, irem em busca de uma sociedade mais igualitária e justa. Porém, mesmo com o espaço que elas vem adquirindo ao longo da história, ainda existe muito a ser conquistado e normalizado, a menstruação, um fator biológico feminino, além de ainda ser um tabu, carece de auxilio financeiro e informacional do Governo, sendo assim, muitas meninas sofrem hoje com a falta de itens básicos de higiene para se viver com dignidade, o que afirma a existente pobreza menstrual no Brasil.
Reflexo de muita falta de informação sobre esse detalhe do corpo feminino, muitas mulheres preferem não falar sobre o assunto, que mesmo no presente século, ainda é mal visto, e causa incômodo no ouvido das pessoas. Uma pesquisa realizada pela marca Sempre Livre, registrou que 66% das brasileiras se sentem desconfortáveis e 57% sujas quando menstruam, porém, o que esperar de uma sociedade em que não há educação sexual suficiente pra tirar as dúvidas das jovens, ou até mesmo, lares preparados para normalizar o período menstrual? Sendo assim, muitas caem no erro de quererem se esconder por causa de um assunto que ainda é tabu, seja em alguns lares, ou até mesmo nas escolas.
De acordo com a ONU, no Brasil, uma entre quatro estudantes já deixou de ir à escola por não ter absorventes. Além disso, a questão da pobreza mentrual vai além de ter ou não produtos de higiene menstrual, ela também abrange a infraestrutura de saneamento, de acordo com o IBGE, 213 mil jovens estudam em escolas cujos banheiros não tem condição adequada de uso. Com isso, pode se afirmar que, para muitas, a menstruação é uma forma de desigualdade, limitando a vida escolar de meninas que não possuem condições financeiras para cuidar de sua higiene mentrual, dessa forma, são impedidas de cumprir integralmente a grade curricular por não terem condições de irem à escola.
Diante do que foi exposto, o Governo, juntamente com o ministério da Economia, deve criar políticas públicas visando a distribuição de estojos de higiene pessoal para mulheres de baixa renda, para assim, conter as desigualdades existentes, principalmente em mulheres em idade escolar. Bem como, também deverá investir na construção e reforma dos banheiros das escolas, para que esses, sendo adequados para uso, não preujudiquem a carreira escolar das meninas. Além disso, é necessário que o Ministério da Educação desenvolva campanhas periódicas nas escolas com o objetivo de informar sobre o corpo e e suas mudanças, normalizando assim assuntos como a menstruação.