Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 18/10/2021

Aproximadamente 11,3 milhões de mulheres brasileiras são afetadas pela pobreza menstrual segundo pesquisas realizadas pela Johnson & Johnson Consumer Health. A falta de um absorvente impacta a vida de uma mulher de forma física, psicológica e social. Tendo em vista que um grande número da população ainda sofre com essa realidade, é evidente a necessidade de mudança.

Em primeira instância, é de grande importância entender o que o termo pobreza menstrual significa. A ausência de recursos para a compra de produtos de higiene, além da falta de água, de saneamento básico e de informação são fatores que caracterizam o problema que assombra mulheres de baixa renda. Desta forma, percebe-se que a desigualdade social, o descaso governamental e a educação são grandes causadores deste cenário. John Rawls defende que a partir do momento em que bens primários não são garantidos a uma parcela da sociedade, não se pode esperar dela uma real participação como cidadãos. Logo, fica evidente que negar condições minimamente dignas no momento de menstruação afasta este grupo da sociedade, como nos casos de  evasão escolar muito comuns entre meninas após a menarca.

Ademais, vale ressaltar a forma como a menstruação ainda é tratada atualmente. A filósofa Simone de Beauvoir afirmou que “não se nasce mulher: chega-se a sê-lo”, ou seja, a sociedade constrói a ideia de feminino. Sendo assim, o ato de menstruar, natural a mais da metade da população, também sofre com os moldes sociais e com uma série de estigmas. Grande parte do que é relacionado ao “segundo sexo” é visto como inferior, humilhante e com o período menstrual não é diferente. Destarte, a mulher deve lidar não apenas com o seu ciclo mas também com tudo o que a sociedade tem a dizer sobre esse momento de forma que sua autoestima e saúde mental são fortemente afetadas. Ainda, deve-se considerar o cenário em que condições básicas de higiene são negadas a essas mulheres e como seus psicológicos e suas qualidades de vida são influenciados de modo mais acentuado, sem contar ainda com os impactos na saúde física devido as tentativas de esconder o “problema” mensalmente ao usar objetos não recomendáveis como absorventes.

Fica evidente, portanto, a necessidade de acabar com a pobreza menstrual para o bem estar da saúde das mulheres brasileiras. Com este fim, o Governo Federal com o Ministério da Saúde devem estabelecer que produtos de higiene menstrual sejam considerados essenciais de forma que sua tributação seja semelhante aos de itens presentes em cestas básicas ou, ainda, seja nula. Além desta alternativa que já facilita o acesso a esses artigos, projetos de distribuição gratuita de absorventes em postos de saúde, escolas e penitenciárias devem também ser implementados.