Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 09/10/2021
O geógrafo Milton Santos, em seu conceito de “Cidadania mutilada”, explica que o básico não é fornecido a uma parcela da população, que se vê em pedaços, marcada por uma sensação de vida indigna. Em analogia com as ideias do pensador, vê-se que a pobreza menstrual é uma questão que prejudica várias brasileiras, já que essas não recebem os itens básicos de higiene íntima durante o período de menstruação. Nesse contexto, observa-se que a sociedade patriarcal e a falta de políticas públicas asseguram a manutenção do problema no país.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que o tabu histórico sobre menstruação e saúde feminina é fruto da sociedade sexista. Durante os anos de 1930, foi criado o primeiro absorvente da marca “Kotex” e, ainda nessa época, as mulheres eram obrigadas a colocá-los dentro de saco de pão para que ninguém conseguisse ver esse produto que elas estavam comprando. Dessa maneira, foi se criando um hábito de quase nunca mencionar sobre menstruação, nem mesmo em um convívio familiar ou nas escolas, causando uma vergonha sobre o assunto. Assim, o fato de hoje as mulheres esconderem absorventes e até se sentirem envergonhadas ao falarem sobre o tema, reflete a dificuldade em se falar sobre a menstruação no país.
Nesse viés, é importante mencionar a ausência de medidas públicas que auxiliem mulheres que não possuem condições de comprar absorventes, remédios e outros itens de higiene. Segundo a antropóloga brasileira Mirian Goldenberg, uma em cada quatro meninas do Brasil faltam à aula por não possuírem absorventes, e dessas, metade nunca falaram sobre o assunto na escola. Dessa forma, percebe-se como uma condição de saúde de uma menina pode prejudicar o seu rendimento acadêmico, e futuramente profissional, devido a ausência de condições econômicas para comprar absorventes. Além disso, a falta de acesso à absorventes por questão financeira pode ser um risco para a saúde de quem precisa buscar alternativas para lidar com a situação, já que o uso de outros itens pode provocar lesões nos órgãos reprodutores femininos e infecções no trato urinário.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o problema. O Ministério da Saúde junto ao Ministério da Educação devem, por meio do Sistema Único de Saúde e das escolas, oferecer os ítens de higiene íntima e remédios de cólicas às mulheres que não possuem condições de comprar. Outrossim, é necessário que seja oferecido ensinamentos, com ajuda de profissionais, sobre o que é menstruação, quanto tempo costuma durar e o que fazer durante esse período. Dessa forma, esse tema poderá ser normalizado entre as mulheres e as alunas não precisarão faltar às aulas durante o período de menstruação. Espera-se, com essas medidas, que a pobreza menstrual não seja um problema no Brasil.