Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 13/10/2021
Com o avanço do Movimento Feminista, as mulheres vêm ocupando cada vez mais espaços sociais de destaque e conquistando direitos que asseguram a cidadania. No entanto, o Brasil permanece enfrentando problemas para a plena inclusão do público feminino na sociedade, como a falta de assistência no período menstrual, situação desencadeada pela desigualdade social, preconceito e negligência governamental. Com isso, há necessidade de uma maior discussão sobre o tema para ampliar a compreensão dos fatos.
A princípio, é importante destacar que, de acordo com o geógrafo Milton Santos, o processo de globalização vivenciado no momento atual é brutal e cercado de malefícios, pois potencializa as diferenças socioeconômicas e priva várias pessoas do acesso a variados recursos. Considerando o contexto brasileiro atual, pode-se afirmar que o pensamento do intelectual é extremamente perspicaz, pois as mulheres mais pobres enfrentam grandes dificuldades para ter acesso aos materiais de higiene básicos quando passam pela menstruação, o que as coloca em condições de vulnerabilidade social, pois deixam de estudar e trabalhar, e sanitária, em razão da exposição à infecções. Diante disso, observa-se que a lamentável concentração de recursos básicos nas mãos de poucos contribui para a intensificação da desassistência das brasileiras em fase de menstruação.
Ademais, é indubitável que para que haja uma resolução precisa a respeito do problema, é necessário debater sobre ele. Nesse contexto, Jurgen Habermas, filósofo alemão contemporâneo, traz uma contribuição relevante ao defender que “a linguagem é uma verdadeira forma de ação” . Entretanto, percebe-se que a pobreza menstrual, não é debatida, uma vez que as escolas não abordam essa temática em sala de aula e em nenhuma disciplina, porque para ela não é seu papel educar no que a saúde e higiene íntima feminina. Dessa forma, o problema persiste silenciado, porém se faz presente na sociedade hodierna. Sendo assim, urge que medidas sejam tomadas.
Depreende-se, portanto, que o desamparo socioeconômico das mulheres durante a menstruação é uma problemática nacional que precisa ser resolvida. Em um primeiro momento, é imprescindível que o Ministério da Saúde, em parceria com empresas produtoras de itens de higiene e com as secretárias de saúde, assistam as mulheres de localidades carentes, por meio da distribuição mensal de kits com equipamentos de higiene, como absorventes, lenços umidecidos e papel higiênico, em postos de saúde. Dessa forma, o público feminino poderá realizar suas atividades com conforto e salubridade.