Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 15/10/2021

Panos, algodões e folhas são alternativas de substituição de absorventes para pessoas que sofrem com a pobreza menstrual, a qual consiste na ausência de itens básicos durante a menstruação. No Brasil, são notórios os desafios no combate à pobreza menstrual, visto que a desigualdade gênero no país é evidente, bem como a carência de informação. Dessa forma, abordar sobre essa temática, faz-se necessário.

Em primeira instância, o sistema carcerário brasileiro disponibiliza os mesmos “kits” de higiene para homens e mulheres, ou seja, utilizam o “padrão” masculino para montagens dos mesmos, contudo, não contém absorventes, ou seja, há uma “exclusão” feminina. Dessa maneira, é perceptível a desigualdade de gênero no país. Ademais, o artigo 98 da Constituição brasileira, promulgada em 1988, garante a todo cidadão o acesso à saúde. Entretanto, não há disponibilização de absorventes em postos de saúde, sendo esse um item de higiene básica, ao contrário disso, há disponibilização de camisinhas, o que é de uso masculino, mas não faz parte de itens básicos para saúde.  Assim, é de suma relevância discutir sobre a  desigualdade de gêneros e sua relação com a pobreza menstrual.

Outrossim, é nítido a carência de informação. Abordar sobre menstruação na sociedade brasileira ainda é considerado um “tabu”. Devido à desinformação presente na sociedade, mulheres utilizam outros materiais para substituir os absorventes, porém esses são inadequados para o uso, posto que podem causar graves infecções. Além disso, por ser um assunto restrito, segundo a pesquisa da “Sempre livre”, famosa marca de absorventes, a cada quatro mulheres uma deixa de ir à escola por estar menstruada. Entretanto, ir à escola e acesso à saúde é direito de todo cidadão, portanto isso não ocorre efetivamente para as mulheres.

Em síntese, o Ministério da Saúde, órgão responsável pela saúde no país, deve realizar campanhas em redes sociais abordando e informando sobre a menstruação e seus cuidados, assunto ainda considerado um “tabu”.  Além disso, o sistema carcerário brasileiro apresentará “kits” femininos e masculinos separadamente disponibilizando-os mensalmente, posto que os “kits” para mulheres apresentará absorventes. Ademais, esse ministério deve proporcionar uma quantidade ideal de absorventes em postos de saúde todo mês. Assim, mulheres não deixariam de ir à escola e ao trabalho, além de evitar graves infecções. Destarte, ao realizar essas ações haverá menor desigualdade de gênero no sistema carcerário e mulheres terão maior acesso à informação, evitando graves infecções.