Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 13/10/2021

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, padronizada pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil representam barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da negligência governamental, quanto da desigualdade social, situação que precisa ser revertida.

Primeiramente, é importante salientar que a omissão do governo é uma causa latente do problema. De acordo com a Constituição Cidadã de 1988, ter acesso à saúde é um direito de todos e dever do Estado, entretanto, as pessoas que possuem útero e não têm acesso a banheiros decentes, absorventes, tampões e coletores menstruais são privadas desse benefício. Dessa maneira, acontece a “Cidadania de Papel”, termo criado pelo escritor Gilberto Dimenstein, que diz respeito à existência de direitos na teoria (Constituição), os quais não ocorrem, de fato, na prática. Consequentemente, como existem leis para assegurar o direito das pessoas e mesmo assim elas são privadas deste, o combate à adversidade torna-se ainda mais desafiador.

Ademais, outra causa para a configuração dessa problemática é a disparidade da sociedade. Prova disso foram dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os quais evidenciaram que o Brasil estava entre os dez países mais desiguais do mundo, haja vista que apresentava 0,539 pelo Índice de Gini, instrumento que mede o grau de concentração de renda de um determinado grupo. Dessa forma, muitas pessoas não têm condições de comprar nem o básico para sobreviver, como o próprio alimento, então comprar absorventes e tampões se transforma em uma despesa, com o qual elas não podem arcar. Por conseguinte, essas cidadãs muitas vezes faltam no trabalho e escola por não conseguirem conter o ciclo menstrual, o que dificulta a resolução do infortúnio.

Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Sendo assim, cabe ao governo, no papel do Poder Executivo, direcionar dinheiro para as comunidades mais carentes, por meio de recursos advindos de impostos federais, de modo a garantir que essa população tenha acesso aos produtos de higiene menstrual. Tal dinheiro direcionado as áreas mais pobres, deve ser investido na oferta de absorventes, tampões e coletores menstruais gratuitamente em lugares públicos como escolas e postos de saúde. Somente assim o Brasil caminhará para se tornar a sociedade idealizada por More.