Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 10/10/2021

Segundo a Lei da Inércia, de Newton, a tendência de um corpo é permanecer parado quando nenhuma força é exercida sobre ele. Fora da Física, atualmente, no Brasil, é possível perceber a mesma condição no que concerne à pobreza menstrual. É indubitável que se não houver uma intervenção sobre causas desse entrave, que são, principalmente, a desigualdade econômica que as pessoas estão submetidas e o silenciamento acerca do preconceito para com a menstruação, o desafio continuará sendo um problema nacional.

Nesse sentido, acerca da falta de acessibilidade a itens de higiene durante o período menstrual, convém mencionar a vulnerabilidade de renda como um dos motivantes da problemática. De acordo com dados do relatório “Livre para Menstruar”, publicado pelo site Politize, uma pessoa que menstrua gasta entre 3 mil a 5 mil reais ao longo da vida apenas com a compra de absorventes, o que para pessoas que não possuem uma situação econômica favorável é semelhante a 4 anos de trabalho para arcar com o valor de tal produto ao longo da própria vivência. Assim, é evidente que a disparidade econômica contribui para que indivíduos socialmente vulneráveis sejam um alvo maior de tal impasse, haja vista que não possuem condições para comprar esse produto básico e garantir a dignidade dos indivíduos que menstruam.

Além disso, vale destacar a falta de debate sobre o julgamento com a menstruação. Conforme os pensamentos do filósofo Foucault, na pós-modernidade, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Nesse viés, uma vez que há um silenciamento no que se refere à menstruação, o preconceito para com ela persiste na sociedade. Essa situação pode ser evidenciada no documentário “Quebrando o Tabu” que mostra como a escassez de discussões sobre esse assunto, na Índia rural, contribui para que o período menstrual não seja visto como algo natural, o que acarreta o estigma e a baixa estima das mulheres durante esse tempo. Sendo assim, alternativas são primoridias para que o impasse seja amenizado.

Portanto, cabe ao Ministério da Economia - órgão responsável pela execução das políticas fiscais nacionais - desenvolver um projeto que vise a distribuição de recursos econômicos para pessoas que não têm alcance aos produtos de higiene básicos mediante um programa chamado “Vale Higiene”, com o fito de tornar acessível artigos como absorvente, para que o período menstrual seja um momento digno para a pessoa que menstrua. Paralelamente, é viável que o Ministério da Educação, conjuntamente ao Ministério da Saúde, promova debates, mediante cartilhas informativas, sobre a menstruação, com o intuito de desconstruir o preconceito sobre essa prática natural do humano.   probreza menstrual no Brasil poderá ser atenuada.