Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 10/10/2021

O que era para ser algo comum a todas as mulheres, acabou tornando-se um desafio e um empecilho para muitas: a pobreza menstrual. Desta forma, muitas meninas não possuem itens básicos de higiene pessoal e isso atinge todas as esferas da vida. Por exemplo, algumas deixam de frequentar a escola, sair com os amigos ou até trabalhar pois não possuem condições de comprar absorvente. E esse cenário torna-se ainda pior quando é retratado a vida das detentas brasileiras, alguns precisam colocar pão, sacola plástica ou jornal, pois o estado não fornece esses elementos indispensáveis.

Primeiramente, um documentário apresentado no Fantástico, programa da rede globo, mostrou como uma diretora de um colégio estadual percebeu que a falta das alunas estavam relacionadas ao ciclo menstrual. Isto é, todo mês, durante uns quatro, cinco dias, algumas alunas faltavam por terem medo do sangue vazar e serem alvos de chacotas –considerando que a menstruação ainda é um tabu na sociedade- ou por não terem dinheiro para comprarem o absorvente. Deste modo, é notável a forma que as políticas públicas não estão sendo eficientes, além da maioria serem pensadas para um corpo padrão, desconsiderando as diferenças biológicas do corpo feminino e masculino. Esse aspecto fica claro quando percebe-se que nos postos de saúde há a distribuição gratuita de preservativos, principalmente a camisinha masculina, porém de absorventes não.

Outrossim, nas penitenciarias brasileiras o problema é mais acentuado. Como retratado no livro “Presos que menstruam: A brutal vida das mulheres - tratadas como homens - nas prisões brasileiras” da escritora Nana Queiroz. A autora visitou os presídios femininos do Brasil para ouvir a história dessas mulheres e como elas lidam com o período menstrual, demostrando que em absolutamente todos os locais, as mulheres são deixadas a mercê da sua própria sorte, tendo que se virar com o que pode e com o que acham pela frente. Por isso, muitas acabam utilizando objetos que causam diversas infecções e que atrapalham ainda mais a saúde feminina. Assim, recentemente um projeto de lei que previa a distribuição de absorventes grátis as mulheres da periferia foi vetado pelo presidente Bolsonaro, segundo ele, os custos logísticos o obrigaram a tomar essa decisão.

Por fim, tratar da saúde feminina é de suma importância para a nação. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde, juntamente com Legislativo Federal, a criação de uma lei que oferte para as escolas e presídios femininos os chamados coletores menstruais. Desta forma, o custo para o estado seria mínimo, considerando que esses coletores são reutilizáveis e duram por mais de dois anos, diferentemente do absorvente. Deste jeito, a saúde das meninas brasileiras seria preservada, além de conseguirem combater esse grave problema.