Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 12/10/2021
O documentário curta-metragem “Absorvendo o Tabu”, lançado em 2019, retrata as dificuldades passadas por mulheres indianas em situação de miséria menstrual, ou seja, com escassez de produtos básicos para a higiene durante a menstruação. Tal conjuntura, então, também se apresenta no cenário brasileiro, uma vez que uma expressiva parcela populacional não dispõe de condições financeiras para arcar com os gastos desse período, caracterizando a pobreza menstrual. Nesse sentido, dentre os desafios para combater esse contexto, salienta-se, sobretudo, o tabu a despeito do tema da menstruação e a negligência estatal na construção de atividades para esse fim.
Em primeira análise, evidencia-se como um dos principais empecilhos a esse combate o estigma relacionado à discussão da pobreza menstrual. Conforme o eminente médico psicanalista Sigmund Freud, existem temas considerados tabus, isto é, tidos como proibições pelas convenções sociais, limitando as liberdades coletivas. De maneira análoga, o debate sobre precariedade de higiene durante a menstruação é considerado um tabu no Brasil, o que colabora para a desinformação populacional acerca do tema e, consequentemente, para a privação das condições dignas para o desenvolvimento das ações cotidianas do público feminino. Logo, são necessárias providências que ampliem a argumentação acerca do tema, com o objetivo de quebrar tal censura social.
Ademais, cabe destacar o descaso governamental em efetivar políticas públicas para a questão como um dos desafios da problemática. Um exemplo disso é que, em outubro de 2021, o presidente da República Jair Bolsonaro vetou a distribuição gratuita de produtos de higiene menstrual para a população de baixa renda. Nesse sentido, observa-se que tal inobservância simboliza o desamparo às mulheres em situação de pobreza menstrual, agravando sua instablidade a respeito da menstruação e impedindo seu acesso a peças para seu período menstrual.
Urge, portanto, que se tomem medidas para lutar contra a pobreza menstrual, seja no âmbito educacional, seja no âmbito legal. Para isso, escolas e colégios precisam debater a questão menstrual dentre as alunas adolescentes, por meio de palestras educativas ministradas por profissionais da saúde - como ginecologistas e obstetras -, a fim de fornecer apoio às estudantes e disseminar informações, reduzindo, assim, o estigma que cerceia a menstruação. Outrossim, organizações não-governamentais em prol do direito das mulheres devem pressionar as autoridades estatais, mediante protestos e passeatas, com a finalidade de efetivar ações que promovam o bem-estar menstrual da mulher. Dessa maneira, o país distanciar-se-á da realidade apresentada no documentário “Absorvendo o Tabu”.