Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 10/10/2021

No documentário “Pandora’s Box”, mostra a realidade de diversas meninas que enfretam preconceitos culturais quando estão em seu período menstrual. Paralelamente, na sociedade brasileira, a pobreza menstrual instala-se em mulheres e adolescentes em situações de vulneralidade econômica e social, ligados à herança do patriarcado no Brasil, o que corrobora para evasão escolar e problemas de saúde para a classe feminina que sofre com os tabus vinculados à menstruação.

Historicamente, a formação da sociedade colonial adotou o modelo da patriarcado, o qual desqualifica as condições humanas e biológicas da mulher. Assim, atualmente, ligado aos resquícios dessa estrutura familiar, o tabu vinculado a assuntos menstruais gera um grande silêncio social sobre a questão, pois, bem como afirma o filósofo Sigmund Freud, a sociedade cria conteúdos que os indivíduos adotam aversão em dialogar, corroborando para a invisibilidade das desigualdades na estrutura social. Dessa forma, o negacionismo da pobreza menstrual no Brasil torna-se um dos mecanismos que dificultam o combate a esse acontecimento, assim como a não adoção da declaração feita pela Organização Mundial da Saúde, a qual afirma que a hiegine menstrual é um direito constitucional básico para as pessoas portadores de útero, fato incondizente com o cenário brasileiro.

Por consequinte, a não adoção dos cuidados menstruais como saúde pública afeta diretamente a vida de mulheres de baixa renda que não apresentam condições financeiras para comprarem absorventes, fazendo com que adotem meios alternativos e ineficazes, como uso de folhas de árvores ou miolo de pão, como substitutivos, podendo levar a problemas de saúde, a exemplo de infecções e corrimentos anormais. Ademais, dados do G1 afirmam que uma em cada quatro meninas deixam de ir a escola durante o período menstrual, o que coloca em risco a escolaridade dessas meninas, as quais faltam em torno de uma semana todos os meses por estarem menstruadas, e, além disso, a escassez de absorventes em banheiros escolares é considerado meio de não apoio para as alunas, uma vez que 4 milhões de meninas não tem acesso aos absorventes nas escolas, de acordo com o canal Cnnbrasil.

Portanto, medidas devem ser tomadas para resolver a questão. O Ministério da Saúde - òrgão governamental responsável pela organização da saúde pública do país - deverá combater a pobreza menstrual no Brasil, por meio de ações políticas que viabilizam a disponibilidade de absorventes em escolas e a distribuição dentro dos itens de higiene básica para toda população vulnerável. Além disso, é necessário romper com o tabu social, através de debates feitos em escolas para meninos e meninas, e, dessa forma, o assunto seja tratado como qualquer condição fisiológica existente e, assim, casos como em “Pandora’s Box” não continuem a acontecer e as mulheres possam ter condições dignas.