Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 11/10/2021

“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. Através deste trecho do poeta modernista Carlos Drummond de Andrade vê-se que o problema relacionado à pobreza menstrual se configura como um obstáculo na vida de muitos brasileiros, acarretando em uma elevação das desigualdades sociais no país, além da permanência de um sistema excludente e pobre em saúde pública. De um lado, existe a falta de apoio e incentivos administrativos na medida para a erradicação do impasse e, de outro lado, a escassez de debates informacionais a cerca da saúde feminina nas escolas e universidades.

Primordialmente, a baixa preocupação do Poder Público nas questões sociais da biologia feminina é de grande preocupação, uma vez que as aplicações em higiene básica não são priorizadas, trazendo consequências para o sistema de saúde. Segundo pesquisas realizadas pelo CNN Brasil, 4 milhões de meninas não têm acesso aos itens considerados de cuidados menstruais nas escolas e, também, 900 mil moram em locais sem saneamento básico. Tais dados mostram o descaso do governo para com a saúde pública feminina e, assim, conclui-se a importância dos investimentos para a diminuição da desigualdade brasileira e para a mudança desse terrível cenário.

Ademais, os insuficientes métodos de divulgação de informações são alarmantes dentro do hodierno momento do país, visto que, desde a Terceira Revolução industrial as formas de propagação informacionais crescem a cada dia, e, mesmo assim, não alcançam como minorias que mais necessitam. Consoante a antropóloga Mirian Goldenberg, uma em cada quatro meninas no Brasil faltam à aula por não possuírem absorventes, e dessas, 50% nunca falaram sobre o assunto na escola. A partir da apresentação dessas estatísticas, é possível perceber o quanto é necessário a implantação dos debates nas escolas e universidade, na medida em que a falta de informação acarreta em problemas que adentram os setores educacionais, relacionados à evasão escolar, de saúde pública e social.

Infere-se, portanto, que o impasse se mostra uma grande pedra a ser removida do caminho para o desenvolvimento e melhorias na comunidade. Nesse sentido, é imprescindível que a Receita Federal invista uma maior parcela dos impostos arrecadados na área da saúde pública, por meio da oferta gratuita de ítens de higiene básicos como: absorventes e coletores, a fim de que maior uma parcela da população feminina tenha acesso ao mínimo necessário para os cuidados menstruais. Outrossim, o Ministério da Educação deve implantar dentro do sistema educacional, matérias vinculadas aos processos menstruais femininos, com palestras e divulgações de informações nas escolas, tendo como intuito, a diminuição dos casos de evasão escolar e, também, de desigualdade social.