Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 10/10/2021
O livro de Êxodo, na bíblia, relata que as mulheres israelitas que se encontravam no período menstrual precisavam se isolar do restante do povo, pois eram consideradas impuras. Milhares de anos depois, o tabu acerca da menstruação permanece. Não obstante a isso, existe ainda uma dificuldade de acesso a itens de higiene feminina, conhecida como pobreza menstrual. Esse problema decorre da desigualdade econômica e configura uma violação de direitos femininos, afetando física e mentalmente as mulheres de várias faixas etárias.
O período menstrual é um marco na vida de toda garota, pois é quando o organismo feminino sinaliza que o corpo está apto à reprodução. No entanto, para além da fisiologia, ainda existem tabus acerca do ciclo menstrual. Muito desse preconceito sobre o tema é motivado pelo desconhecimento das meninas sobre a importância desse período. Mas o maior agravante encontra-se na desigualdade social brasileira, que dificulta o acesso a itens de higiene, como absorventes e até papel higiênico, por uma grande parcela de mulheres. Além disso, no que tange às adolescentes, há outro grande desafio: muitas escolas não dispõem de uma estrutura mínima de banheiros, água encanada e sabonete para proporcionar uma higiene íntima adequada. Isso se comprova pelo relatório da UNICEF, que mostra cerca de 3% de adolescentes no país, aproximadamente 321.000 alunas, estudando em escolas que não possuem sequer banheiros em condições de uso.
Não bastando os problemas estruturais, há um risco potencial de afetar a saúde física e mental das mulheres. Isso porque na impossibilidade de adquirir o absorvente, muitas mulheres usam utensílios inadequados para higiene, como panos velhos, jornal, ou até a utilização do mesmo absorvente por horas, o que aumenta o risco de infecção urinária de repetição. Isso sem contar o prejuízo psicológico que reside no desconforto, insegurança e estresse causados pelo problema. Esse contexto de medo e vergonha corrobora para um evasão escolar, prejudicando o aprendizado e inserção na vida profissional de muitas mulheres.
A pobreza menstrual é um problema que fere os direitos de acesso à saúde assegurados pela Constituição. É de extrema importância garantir o acesso adequado a higiene feminina como medida de promoção e proteção da saúde. Para isso, cabe ao Governo Federal garantir acesso a artigos de higiene para todas as mulheres de baixa renda no país. Isso por meio de projeto de lei federal que garanta distribuição desses itens conforme ganho mensal familiar a fim de melhorar as condições de higiene, saúde e consequentemente melhorando cada vez mais a inserção social da mulher.