Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 13/10/2021
Segundo a Constituição Federal de 1988, o acesso à saúde é um direito essencial e deve ser garantido pelo poder público. Entretanto, tal obrigação não é posta em prática visto que nos deparamos com a pobreza menstrual. Tal situação se agrava, sobretudo, devido à baixa renda de muitas famílias, como também pela negligência do Governo, evidenciando a necessidade de medidas para atenuar a questão no Brasil.
Em primeira análise, é válido ressaltar que a disparidade de renda existente no Brasil é um complicador do impasse. Conforme o Índice de Gini, a sociedade brasileira é uma das mais desiguais do mundo, no quesito socioeconômico. Isso se comprova no fato de que muitas mulheres, em razão de sua baixa renda, não possuem condições de adquirirem nem mesmo a itens básicos de alimentação, tampouco de higiene pessoal. Prova disso é o estudo realizado pelo Centro Brasileiro de Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo (MADE-USP), onde 19,3 milhões de pessoas passam fome no Brasil.
Em segunda análise, evidencia-se que há, no Brasil, negligência estatal, resultando na falta de políticas públicas que visem o bem estar das pessoas que menstruam. Nessa lógica, é notório que o país tem uma alta desigualdade social, e quando aludimos aos itens de saúde alguns são abordados como artigos de luxo. Dessa maneira, a utilização de absorventes não é democratizado. Assim, muitas mulheres estão sujeitas a optar por medidas alternativas. Tal situação as envergonha fazendo com que elas tenham que ficar, tendo como exemplo, sem ir estudar ou trabalhar. Logo, é perceptível que a falta de atenção pública complexifica o combate à pobreza menstrual.
Em face a tais informações, portanto, é lícito concluir que é preciso adotar um paradigma responsável para atenuar o problema. Assim, o Poder Legislativo juntamente com o Ministério da Saúde devem elaborar leis, e assim, por meio de políticas públicas, seja feita a distribuição de itens de higiene, como sabonetes íntimos e absorventes, para as mulheres de baixa renda. Para que assim as pessoas que menstruam tenham condições dignas e não tenham sua saúde comprometida. Assim, dar-se-á o primeiro passo para mudar tal situação.