Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 13/10/2021

Na obra “Presos que Mestruam”, da escritora Nana Queiroz é retratada a falta de assistência do Estado na disponibilização de absorventes para as mulheres carcerárias do Brasil, tornando-se um produto extremamente visado. No contexto brasileiro contemporâneo, a pobreza menstrual é uma realidade presente na vida de várias mulheres e jovens, já que grande parte da população continua alheia a esses serviços. Diante dessa perspectiva, é válido analisar a falta de políticas públicas associado a uma violação dos direitos humanos.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a precarização menstrual no Brasil. Visto que, as mulheres herdam uma cultura de desvalorização, com isso as questões menstruais não são levadas em consideração pelo Estado, pois o corpo governamental é em sua maioria formado por homens. A exemplo do veto realizado pelo atual presidente da república Jair Bolsonaro, que coibiu a proposta de combater a precariedade menstrual, que visava distribuir absorventes gratuitos as mulheres de baixa renda, marginalizando uma grande parcela das pessoas que são desprovidas de recursos financeiros.

Ademais, é fundamental apontar a questão dos direitos humanos, pois essa precariedade sanitária é um rompimento das diretrizes pregada pela ONU (Organização das Nações Unidas). Afinal, milhares de mulheres e jovens vivem em situações precárias quando estão menstruadas, podendo se contaminar com bactérias e fungos, uma vez que utilizam materiais inapropriados. Segundo dados da ONG International Plan, no Brasil cerca de 23% das meninas entre 15 a 17 anos não possuem condições financeiras para comprar absorventes, deixando de frequentar escolas no período menstrual. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescíndível que o Governo Federal invista seriamente nos projetos de dsiponibilização gratuita de absorventes e produtos básicos de higiene pessoal para a populaçao vulnerável, disponibilzando os mesmos nos postos de saúde de todas as regiões. Além de promover a normalização da menstruação em veículos de comunicação, entendendo que menstruar não é um motivo de vergonha e sim uma condição da natureza feminina. Dessa forma, será possível diminuir o número de mulheres que vivem em situações de pobreza menstrual, alcançando as prerrogativas dos direitos humanos e se distanciando da realidade apresentada em “Presos que Menstruam”.