Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 14/10/2021

O documentário ´´Absorvendo o tabu´´, de produção indiana, alude para os desafios enfrentados por mulheres durante o período menstrual e como as condições financeiras tornam esse ciclo difícil para àquelas sem acesso a produtos de higiene. De maneira análoga, esse curta-metragem evidencia uma realidade presente no cotidiano de muitas brasileiras, as quais sofrem com a pobreza menstrual e, consequentemente, problemas com autoestima e insegurança. Dessa maneira, é necessário discutir acerca da negligência estatal e das raízes sociais, principais fomentadores da problemática.

A princípio, é válido salientar a passividade da máquina pública em relação a promoção da plena qualidade de vida das cidadãs. Nesse viés, a Constituição de 1988, em seu artigo n°196, prevê a responsabilidade do Estado em garantir uma saúde de excelência a todos os indivíduos. Entretanto, é evidente a não aplicação dessa legislção face a figura feminina, haja vista a falta de políticas públicas que visem a distribuição de absorventes em localidades marginalizadas, como comunidades isoladas e escolas públicas, resultando, pois, na afirmação de uma sociedade excludente. Desse modo, mulheres da classe inferiorizada são as principais vítimas do descaso administrativo.

Ademais, é relevante abordar a intrínseca cultura patricural presente no cenário hodierno, o que contribui para a violação dos direitos básicos do grupo feminino. Nesse contexto, Pierre Bourdieu, sociólogo francês, discute sobre o conceito de ´´Violência simbólica´´, na qual pequenas ações praticadas pelo grupo dominante atingem uma minoria social de forma velada. Sob essa perspectiva, tal conceito proposto é aplicado nas precárias situações de saúde pública vivida pelas mulheres, fato propiciado pelo tabu historicamente construído em relação ao período menstrual. Assim, é fulcral o debate informativo para desconstruir esse pensamento retrógrado.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para mitigar o óbice supracitado. Nesse diapasão, a União, em conjunto com o Ministério da Saúde, deve criar um projeto assegurando o fornecimento de itens básicos de higiene feminina à redes escolares e regiões perfiféricas, por meio da concessão de verbas públicas pelo Tribunal de Contas da União, as quais serão distribuídas para os órgãos governamentais, com o fito de reduzir as disparidades sociais entre as mulheres e garantir a todas uma boa qualidade de vida. Logo, com a adoção de tais iniciativas, cenas de ´´Absorvendo o tabu´´ ficarão no passado.