Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 11/10/2021
A pobreza menstrual se caracteriza como a dificuldade de acesso aos produtos de higiene e de infraestrutura sanitária adequadas. Segundo o movimento Girl Up, 25% das adolescentes não têm acesso aos absorventes e necessitam utilizar substitutos, muitas vezes agressivos à saúde. Essa conjuntura tem como motivadora a situação de vulnerabilidade social que muitos brasileiros experimentam.
Sob essa ótica, é válido ressaltar que a carência financeira colabora com esse cenário. Segundo a CNN, uma pessoa que menstrua gasta, em média, cerca de 30 reais por ciclo. Assim, em um país que possui parcela da população abaixo da linha da pobreza, esse item se torna inacessível para muitos. Além disso, inúmeros brasileiros convivem com a falta de saneamento básico, de banheiro e de chuveiros em casa, o que potencializa a pobreza menstrual. Essa situação segregacionista contraria o princípio do “Espaço Público”, da filósofa Hannah Arendt, que defende a total inclusão dos oprimidos -os carentes de recursos financeiros, nesse caso- na teia social.
Consequentemente, é preciso considerar também as implicações causadas por essa debilidade. É perceptível que esse cenário de miséria menstrual prejudica o processo de ensino-aprendizado, uma vez que muitas meninas deixam de ir à escola no período menstrual, por aproximadamente 9 dias, o que gera uma série de problemas. Ademais, a dificuldade de ter acesso aos itens de higiene pessoal também provoca perda de confiança e autoestima nas mulheres, como retratado no documentário “Absorvendo o Tabu”. Dessa forma, é imperioso destacar o conceito de “subcidadania”, postulado por Jessé Souza, que denuncia a situação de vulnerabilidade social vivida pelos mais pobres.
Fica evidente, o quanto a pobreza menstrual é uma mazela que precisa ser vencida. Assim, o Ministério da Cidadania deve, por meio de verbas oriundas do Tesouro Nacional, e em parceria com os espaços públicos, como escolas e postos de saúde, fornecer kits de higiene- que contenham absorventes, calcinhas absorventes ou coletores menstruais- a fim de garantir que todas as pessoas que menstruam sejam contempladas com condições básicas de higiene.