Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 11/10/2021

Zygmunt Bauman defende que “não são as crises que mudam o mundo, e sim a maneira que reagimos a elas”. No entanto, não é possível verificar uma reação interventiva na pobreza menstrual no Brasil que atinge mulheres em estado de vulnerabilidade. Neste contexto, entende-se que se deve traçar estratégias a partir da atuação nas causas do problema: como o tabu que envolve a mentalidade social e o desamparo governamental.               Sob esse prisma, a vergonha em falar sobre menstruação, faz com que as mulheres não queiram falar sobre a carência de produtos para esse período. De acordo com a pensadora, feminista, Chimamanda Adichie “a cultura não faz as pessoas; são as pessoas que fazem a cultura”. Consoante a esse pensamento, percebe-se a necessidade de mudar a cultura que tenta esconder que as mulheres menstruam, fazendo com que a pobreza menstrual pareça um problema inexistente no Brasil.                           Paralelamente, no hodierno, o descaso governamental faz com que mulheres em estado vulnerável, enfrentem maiores desafios. Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos – promulgada em 1948 pela ONU - o bem-estar social é direito de todos os indivíduos, ou seja, a realidade não condiz com a legislação. Neste sentido, não combatendo a pobreza menstrual, soma-se dificuldades na vida da mulher, que não podendo sair de casa por sentir vergonha, sofre exclusão social por falta de oportunidades.

Portanto, é indubitável a necessidade do combate à pobreza menstrual no Brasil. Para isso, o Ministério da Saúde, deve criar um projeto de distribuição de absorventes em lugares públicos, como escolas e postos de saúde, a fim de que a população feminina tenha acesso a um produto básico de higiene no período menstrual. A priori, também é preciso que as escolas promovam debates que desconstruam o tabu que envolve a menstruação. Desta forma, será possível reagir contra a pobreza menstrual, como defende Bauman.