Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 13/10/2021
No curta-metragem Absorvendo o Tabu de Rayka Zehtabchi, é retratada a realidade de pobreza menstrual de meninas e mulheres indianas e o processo de criação de uma máquina que produz absorventes de baixo custo. Entretanto, não é necessário que se vá longe para conviver com essa situação, já que essa é uma realidade de grande parte da população brasileira e o assunto não é visto como prioridade. Por isso, existem desafios no combate à falta de dignidade menstrual no Brasil.
Em primeiro lugar, é importante dizer que mesmo a ONU afirmando que higiene menstrual é questão de direitos humanos e saúde pública, o absorvente menstrual não é visto no Brasil como item de higiene básica. Isto é, esse item não é enviado nas cestas básicas direcionadas às famílias de baixa renda, nem é isento de impostos implementados pelo Governo Federal. Dessa forma, pessoas brasileiras que menstruam e não tem dinheiro, não conseguem manter condições dignas e seguras de menstruação.
Concomitante a isso, o Projeto de Lei 4968, de 2019, que previa a distribuição de absorventes e cuidados da saúde menstrual para estudantes de escola pública de forma gratuita foi criado pela deputada federal Marília Arraes. A ação foi vetada pelo Presidente Jair Bolsonaro, mesmo que 25% das meninas em idade menstrual faltem às aulas por falta desses itens básicos. Logo, o acesso ao essencial foi mantido com dificuldades de acesso para a população com menos recursos financeiros.
Fica claro, dessa forma, que é necessária a criação de políticas públicas que facilitem o acesso de absorventes menstruais para a população de baixa renda. Isso deve ser feito pelo Ministério da saúde, por meio do direcionamento do dinheiro do SUS (Sistema Único de Saúde) para que a pobreza menstrual no Brasil seja mitigada. Dessa maneira, pessoas que menstruam passam a ter acesso a direitos de higiene básica.