Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 11/10/2021

As indústrias de higiene e de itens pessoais constantemente modernizam e aprimoram seus processos. No entanto, mesmo com o aperfeiçoamento produtivo, itens necessários durante o período reprodutivo feminino ainda não estão disponíveis para toda a população. No Brasil, a pobreza menstrual - termo que caracteriza a falta de acesso a esses produtos - é uma realidade a ser enfrentada. Nesse sentido, desafios como a pouca ação governamental e a baixa disponibilização de informação precisam ser combatidos para a supressão dessa problemática.

Nesse cenário, a negligência do Estado em suprir a carência de produtos de higiene menstrual colabora para a manutenção da desigualdade de acolhimento social. De forma análoga, recentemente o presidente Jair Bolsonaro vetou a oferta gratuita de absorventes em escolas públicas e para pessoas em situação de vulnerabilidade, de acordo com a Câmara dos Deputados, o projeto havia sido aprovado pelos parlamentares. Ademais, a falta de itens adequados pode resultar em problemas de saúde, por exemplo, infecção, além de danos emocionais, segundo relatório publicado pela Unicef. Logo, o descaso governamental e a negação de apoio aos necessitados afem não apenas o período menstrual, mas também a saúde e a dignidade humana, aumentando ainda mais as desiguldades sociais e dificultando o combate a pobreza menstrual.

Outrossim, a escassez de informações sobre a menstruação agrava o problema. Isso fica evidente em uma publicação do site Veja Saúde, onde consta que a falta de conhecimentos sobre a temática também é um fator relevante. Diante disso, o pouco diálogo cria ainda mais empecilhos e dificulta o combate à problemática. De forma semelhante, na Índia, país onde a pobreza menstrual é extrema, o “tabu” criado em torno da menstruação se dá muito pela falta de instruções sobre a saúde das mulheres, segundo a BBC. Sendo assim, é vísivel a relevência da conscientização coletiva para enfrentar a realidade atual, pois assim é possivel a normalização da menstruação e, consequentemente, sua discussão social e busca por igualdade será facilitada.

Logo, é evidente a emergência em educar e informar a sociedade sobre o ciclo reprodutivo feminino, a pobreza menstrual e a importância da higiene adequada. Isto posto, cabe ao Ministério da Saúde criar campanhar informacionais - com linguagem simples e adequada - por meio de parceria com emissoras televisivas. Objetiva-se, com isso, normalizar as discussões sobre a temática. Além de tudo, o referido Ministério deverá disponibilizar em hospitais e postos públicos produtos de higiene menstrual mensal para mulheres de baixa renda, a fim de reduzir a desigualdadee preservar a dignamente a saúde física e emocional da população que menstrua.