Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 11/10/2021

O documentário “Absorvendo o Tabu”, vencendor do Oscar de 2019 na categoria de melhor curta-metragem, aborda os impactos causados pela a vulnerabilidade de mulheres indianas em relação a menstruação. Fora do mundo cinematrográfico, uma situação análoga ocorre no Brasil, ao passo que a pobreza menstrual representa uma face obscura da sociedade brasileira, a qual necessita ser enfrentada. Sob esse viés, faz-se imperiosa a análise dos alicerces que sustentam esse cenário, esses bem como a ineficácia da legislação vigente, e os esteriótipos construídos socialmente relacionados ao ato de menstruar.

Em uma primeira análise, ressalta-se que a ineficiência das postulações da Constituição Federal é um empencilho na resolução da problemática. Segundo Dimenstein aborda em seu livro “Cidadão Invinsível”, a um descompasso entre os direitos assegurados na Carta Magna e as suas práticas. Nesse sentido, a falta de ações governamentais para garantir o cumprimento do Projeto de lei criada em 2019, a qual assegura a distribuição gratuita para mulheres em situação de vulnerabilidade, faz jus a tal conceito. Isso é perciptível nos dados divulgados no ano de 2018, os quais acusa que 26% das meninas não tem acesso aos produtos de higiene menstrual, pela marca de absorventes Sempre Livre. Logo, é notório que a legislação simbólica brasileira não faz merecimento a saúde dessas mulheres.

Ademais,  visão estereotipada em relação a temática é um impasse na resolução da problemática. Na Índia, a mulher em seu período menstrual é vista como impura e indigna, e relatam se sentirem sujas por tal julgamento. Nesse viés, indo de acordo aos pensamentos de Albert Einstein, o qual afirma que é mais fácil desintegrar o átomo do que o preconceito enraizado, torna-se evidente que a construção histórica, é o principal fator para contribuir com essa situação opressiva. Dessa maira, é evidente que é necessário a denconstrução desse preconceito enraizado.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso é imprenscíndivel, que o Ministério da Saúde juntamente a instituições de ensino promova campanhas de conscientização. Tal finalidade seria alcançada através de palestras como movimentos em pró a saúde menstrual das mulheres, com intuito de promover a discussão desde cedo nos jovens, e descontruir os esteriótipos enraizados, falando abertamente sobre o assunto. É necessário também que o Poder Legislativo efetive leis que garantam a distribuição de produtos de higiene para mulheres em situação de vulnerabilidade. Desse modo, poderá caminhar para uma sociedade a qual as mulheres não sintam vergonha de uma situação biólogica essencial.