Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 13/10/2021

“Absorvendo o Tabu” é um documentário indiano que tematiza a pobreza menstrual, através do diálogo entre as mulheres indianas e o meio em que estão inseridas. Nesse âmbito, infere-se que o combate à pobreza menstrual não é só uma realidade da Índia, mas também do Brasil na sociedade contemporânea. Diante disso, a falta de saneamento básico e a negligência governamental figuram como perigosos desafios a serem enfrentados hodiernamente.

Em primeira análise, podemos entender que a falta de acesso a saneamento básico é uma das causas da má higiene íntima da mulher que é precária devido à ausência de água potável e de absorventes durante o ciclo menstrual, em decorrência da carência financeira. De acordo com a CNN, estima-se que “713 mil meninas vivem sem banheiro ou chuveiro em casa”. Logo, as mulheres de camadas populares são o reflexo da desigualdade social instaurada no país, uma vez que contribuem para os prejuízos relacionados aos direitos de uma vida digna de saúde pública e direitos humanos. Desse modo, com a concepção instituída da falta de acesso ao saneamento básico como um fator de precariedade, a pobreza menstrual adquire o caráter estigmatizado, o qual contribui com a exclusão da população carente.

Além disso, uma comunidade que necessita de recursos básicos, representa um retrocesso para a coletividade que preza por igualdade. Sob essa ótica, segundo a filósofa francesa Simone de Beauvoir, “o mais escandoloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Tal afirmação, pode facilmente ser aplicada a negligência governamental para com a pobreza menstrual,  já que mais escandaloso do que a ocorrência dessa problemática é o fato da população se habituar a essa realidade. Dessa forma, o descuido governamental violenta simbolicamente aquelas mulheres que não tem condições de comprar materiais de higiene e de lutar pelos seus direitos como cidadãs.

Faz-se mister, portanto, medidas operantes que busquem a reversão do quadro de pobreza menstrual no Brasil. Para que isso ocorra, cabe ao Ministério da Saúde proporcionar auxílio no processo de saneamento básico, uma vez que a falta dele sobrecarrega o sistema de saúde e prejudica as mulheres. Ademais, também urge a realização de campanhas informativas sobre a importância da higiene menstrual, através de cartazes e mídia, com o fito de desconstruir o olhar crítico da sociedade relacionado a menstruação e levar informação as mulheres pobres. Além disso, é necessário que o Estado crie políticas públicas para que haja a distribuição de absorventes gratuitos, através de hospitais da rede pública, a fim de tornar acessível para todas as mulheres uma saúde digna. Assim, haverá um ambiente estável que colabore com a acessibilidade geral a higiene menstrual no país.