Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 13/10/2021

O filme “Absorvendo o Tabu” ilustra os estigmas relacionados à persistência da pobreza menstrual e conta a história de mulheres que produzem absorventes higiênicos de baixo custo. Nesse sentido, a carência de um sistema de saneamento básico precário é um dos desafios no combate a essa problemática no Brasil. Além disso, a negligência estatal em promover a higiene para moças é outro entrave para a superação dessa realidade brasileira. Enfim, são necessárias políticas para o aprimoramento das medidas sanitárias e atendimento do público feminino em território nacional.

Sob essa ótica, o sistema de saneamento básico paupérrimo é um desafio no combate à pobreza menstrual no Brasil. Nessa perspectiva, o país tupiniquim apresenta elevados índices de desigualdade entre sua população e isso é demonstrado pelo seu alto Coeficiente de Gini, indicador da concentração de renda em uma nação, que está entre os 8 piores países em distribuição de riqueza segundo o Pnud(programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). Diante disso, inúmeras brasileiras não possuem condições estáveis de higiene propiciadas pela extrema diferença entre classes e regiões no território brasileiro, fato caracterizado pela ausência de tratamento de esgoto, água canalizada e até ocasiões em que elas não possuem banheiros ou chuveiros em suas residências. Logo, o aperfeiçoamento desse segmento público é necessário para a mudança da realidade atual.

Outrossim, a negligência dos setores públicos com a situação menstrual é um desafio alarmante para essa problemática. Nesse viés, a atitude do Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, de vetar o projeto que determinava a distribuição gratuita de absorventes para mulheres carentes representa como o Poder público não adota políticas eficazes em superar os desafios da pobreza menstrual no Brasil. Sob esse viés, a falta de conhecimento, infraestrutura e recursos estão ligados às práticas políticas que não atendem todas as classes sociais igualitariamente, de forma que muitas alunas brasileiras, entre 12 e 19 anos, perderam aulas por não ter absorvente segundo a ONU. Em suma, é imprescindível a assistência pública para a superação dessa pobreza menstrual.

Portanto, os desafios no combate à pobreza menstrual estão associados à política brasileira e a carência de higiene. Assim, o Poder público deve permitir a legalização do projeto que foi interceptado pelo Presidente, por meio de uma releitura do texto e uma aprimoração desse plano principalmente detalhando as questões financeiras e utilizando verba do SUS nessa medida, a fim de garantir a distribuição gratuita de absorventes para mulheres carentes. Além disso, as instituições de ensino têm que instruir e educar as jovens alunas sobre o processo menstrual, por intermédio de ajudas de ginecologistas em sala de aula, com o intuito de asseguar a saúde nos primeiros ciclos menstruais.