Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 13/10/2021
Embora as mulheres tenham conquistado diversos direitos ao longo dos últimos anos, o fato é que o estigma relacionado à menstruação continua a se fazer presente em diversas sociedades que se dizem feministas, mas que sentem vergonha em discutir o assunto. Homens e mulheres de todas as idades tratam a menstruação como algo sujo, algo a ser escondido, esquecendo-se de que o que deveria ser apenas algo natural e corriqueiro acaba por se tornar, muitas vezes, um verdadeiro problema para algumas mulheres.
O documentário Absorvendo o Tabu, vencedor de uma das categorias do Oscar 2019, narra como é o cotidiano de diversas meninas que vivem em uma comunidade carente na Índia, enfatizando a falta de condições financeiras para a obtenção de absorventes e como isso afeta o seu cotidiano. Ao serem entrevistados, alguns garotos que vivem no mesmo local afirmaram não saber o que é a menstruação e, ao serem questionadas, as garotas disseram que evitam conversar sobre o assunto com os homens, mesmo aqueles de sua própria família, demonstrando assim o pudor em torno da questão.
Não é preciso, porém, cruzar o oceano para se encontrar situações como essa. No Brasil, milhares de meninas e mulheres enfrentam o mesmo problema todos os meses, sofrendo com a falta de recursos para comprar o que são considerados recursos básicos de higiene. Dessa forma, não é incomum que garotas em idade escolar deixem de ir à escola durante determinado período do mês, improvisando absorventes com o que tiverem à disposição caso precisem sair de casa, muitas vezes recorrendo a objetos anti-higiênicos e prejudiciais à saúde vaginal.
Assim sendo, são necessárias diversas medidas para que o assunto passe a ser tratado com a seriedade que merece. Deve ser uma preocupação da escola e da família informar os seus filhos e filhas sobre o assunto, incentivando-os a conversar sobre e mostrando que não é algo do qual se deve ter vergonha. Além disso, é essencial a maior participação feminina em discussões políticas, pressionando o governo a distribuir absorventes de forma gratuita nas unidades de saúde, de modo a evitar o uso de objetos inadequados, conforme foi supracitado, e a garantir que a menstruação não se torne um empecilho na vida das mulheres.