Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 16/10/2021

No documentário “Absorvendo o Tabu”, um grupo de ativistas investiga a relação dos indianos com o ciclo menstrual. No caso dos homens, o preconceito é enorme, já no caso das mulheres, a vergonha, a falta de conhecimento e o inacesso aos absorventes são os obstáculos. Analogamente, no Brasil, o estigma associado a menstruação é responsável pela falta de discussões e políticas públicas que contemplem o assunto, tornando o combate a pobreza menstrual mais difícil.

Primeiramente, na segunda temporada da série “Segunda Chamada”, uma das alunas rouba um rolo de papel higiênico para usar como absorvente. Fora da ficção, a pobreza menstrual afeta muitas alunas da rede pública, que não fornece boa infraestrutura de higiêne. Nesse interím, diversas mulheres faltam aulas por conta da carência de produtos sanitários, o que prejudica suas respectivas formações. Dessa forma, é clara a necessidade de medidas que tornem o absorvente acessível em ambiente escolar.

Ademais, a distribuição de preservativos masculinos é uma política de saúde pública que visa auxiliar na prevenção de IST’S. Dessa maneira, é importante questionar o por quê da ausência de distribuição de absorventes, anticoncepcionais e preservativos femininos, que seria tão importante para mulheres carentes e em situação de rua. Nesse sentido, os tabus que rondam a questão menstrual e o machismo estrutural são as causas do problema. Segundo a filósofa Hannah Arendt, o pior mal é o banalizado, visto como corriqueiro. Diante disso, é fato que a pobreza menstrual é um dos piores males sociais.

Em síntese, mudanças são urgentes. Cabe ao Ministério da Saúde a criação de políticas públicas que objetivem resolver a questão da pobreza menstrual, através da distribuição de absorventes nos postos de saúde e nas escolas. Ainda, cabe ao Ministério da Educação, a difusão de informações sobre o ciclo menstrual, através de palestras e oficinas de criação de bioabsorventes, com o objetivo de “quebrar” o tabu e distribuir cada vez mais absorventes.