Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 06/11/2021
A puberdade é um processo em que a criança se prepara para a maturidade, ocorrendo o crescimento e desenvolvimento do corpo para o período adulto que está por vir. Em meninas, ela se inicia entre 8 a 13 anos, já nos meninos entre 9 a 14 anos (geralmente). Tendo isso em vista, é possível perceber que - mesmo com pouco tempo de diferença - a puberdade feminina acontece primeiro e além das mudanças físicas e psicológicas, ela também acarreta a menstruação. Por conta da pouca idade, o período menstrual da menina costuma ser complicado de lidar, alguns dos principais desafios enfrentados estão no âmbito escolar e nas questões financeiras de cada indivíduo.
Segundo o Guia Técnico para a educação, produzido pela Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS), a educação sexual é um programa de ensino sobre aspectos cognitivos, emocionais, físicos e sociais da sexualidade. Nesse contexto, a educação sexual é responsável por auxiliar meninas a enfrentarem questões a respeito da sua menstruação com mais facilidade, como por exemplo o uso correto de absorventes, a tabela menstrual, a higiene pessoal, a quebra do tabu sobre esse tema e dores durante o ciclo. Entretanto, segundo a pesquisadora de educação sexual Mary Neide Figueiró, menos de 20% das escolas públicas brasileiras têm acesso a esse tipo de conhecimento, um fator nocivo para combater a pobreza menstrual no Brasil.
Além do mais, um dos principais motivos pela ausência de itens para a higiene íntima é de natureza financeira. De acordo com o Relatório Livre para Menstruar, elaborado pelo movimento Girl Up, uma pessoa que menstrua gasta entre R$3 mil e R$8 mil reais ao longo de sua vida com a compra de absorventes, o que para as pessoas que se encontram em situações de vulnerabilidade social representa aproximadamente quatro anos de trabalho. Para alguns, custear os gastos do período menstrual tem um valor financeiro muito alto, promovendo progressivamente a desigualdade social no país.
Dado o exposto, pode-se concluir que a pobreza menstrual ainda é uma dificuldade encontrada por muitas pessoas, gerando um estigma sobre o período menstrual. Portanto, cabe ao Ministério da Educação implantar nas escolas a disciplina de educação sexual, essa seria responsável por fornecer conhecimento para todas as meninas a respeito do seu ciclo menstrual, facilitando a prática feminina durante o processo. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde disponibilizar absorventes gratuitos em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) do país, desse modo, combatendo os elevados custos individuais de cada família. Então, somente assim, o país poderá vencer a pobreza menstrual.