Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 15/10/2021
A menstruação é a descamação mensal das paredes internas do útero quando não fecundado e faz parte do ciclo reprodutivo feminino. De maneira análoga a isso, a sociedade se depara com os desafios para combater a pobreza menstrual no Brasil. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude de parte da população ser incapaz de obter produtos de higiene menstrual e de como tal situação afeta mulheres e meninas em diversos setores.
Em primeira análise, a pobreza menstrual brasileira é causada pela desigualdade socioeconômica, atingindo principalmente estudantes de baixa renda de escolas públicas e pessoas em situação de rua ou de vulnerabilidade extrema. No Brasil, estima-se que 23% das meninas de 15 a 17 anos não podem pagar por produtos seguros para uso durante a menstruação, visto que os absorventes são considerados desnecessários, devido à imposição do machismo perante a sociedade, podendo ocasionar no aumento do preço de tais itens. Sendo assim, o direito das mulheres à higiene menstrual, torna-se ainda mais restrito.
Ademais, a pobreza menstrual pode agravar em diferentes problemas, dentre eles a desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho. Isso ocorre devido às meninas que, enquanto jovens, durante seus períodos menstruais, acabam por faltar mais dias nas escolas, afetando o desempenho acadêmico das mesmas. Dados da ONU (Organização das Nações Unidas) apontam que, no Brasil, uma entre quatro estudantes já deixou de ir à escola por não ter absorventes. Como resultado, essas meninas têm uma chance inferior de quebrar o ciclo da pobreza e ganhar autonomia financeira.
Em vista dos fatos supracitados, faz-se necessário a adoção de medidas que venham solucionar os desafios do combate à pobreza menstrual no Brasil. Por conseguinte, cabe a instituições escolares, distribuir absorventes gratuitos, além de ensinar meninas a como lidar com o próprio ciclo menstrual, por meio de aulas de educação sexual, a fim de formar uma sociedade ainda mais consciente e prevenida sobre o assunto. Desse modo, ao passar dos anos, o índice de mulheres em situações precárias diminuirá e a pobreza menstrual deixará de ser um problema no Brasil.