Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 15/10/2021

A criação dos absorventes ocorreu por volta do ano de 1894 nos Estados Unidos com um tecido um pouco mais absorvente e reutilizável. Entretanto, na sociedade contemporânea brasileira, algo que deveria ser considerado normal e de natureza humana, enfrenta desafios no combate à pobreza menstrual. Nesse viés, as razões para tantos conflitos são motivadas pela natureza financeira e pela permanência da censura sobre o assunto.

As mulheres inseridas na população de poder econômico inferior sofrem muito mais com os desafios relacionados ao financeiro. Segundo o relatório Livre para Menstruar, uma pessoa que menstrua gasta entre 3 mil e 8 mil reais ao longo de sua vida com a compra de absorventes. Dessa forma, para pessoas que estão em situações de vulnerabilidade social, a utilização da proteção íntima acaba se tornando inacessível e ocasionando o difícil manejo da higiene menstrual.

Ademais, outro desafio relacionado ao combate à pobreza menstrual é a permanência desse tabu na sociedade contemporânea brasileira. No documentário indiano “Absorvendo Tabu”, onde é vivenciado uma situação análoga do Brasil, mulheres produzem absorventes de baixo custo em uma nova máquina e caminham para a independência financeira, uma vez que o estigma da menstruação é persistente. Logo, o prolongamento desse estigma pode resultar em diferentes problemas para as mulheres como a evasão escolar e até uma restrição pessoal.

Percebe-se, portanto, que é dever do Governo Federal, juntamente com o Ministério da Saúde do Brasil, setor governamental responsável pela administração da saúde pública do país, criar projetos e campanhas que trabalhem a diminuição desse tabu sobre menstruação e que ocorra a inserção na sociedade como fator de saúde pública por meio da distribuição gratuita de absorventes nas Unidades Básicas de Saúde, além de cartazes sobre o assunto nas redes sociais e nos próprios ambulatórios. Com isso, espera-se que as taxas relacionadas aos desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil diminuam, e que as novas gerações consigam viver em uma sociedade sem a existência de um estigma que deveria ser considerado natural e sem custos.