Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 15/10/2021
Diferentemente dos dias de hoje, algumas décadas atrás ainda não havia diversos produtos íntimos para as pessoas, bem como os itens de higiene menstrual, além do tabu existente. Dessa maneira, movimentos feministas tratam com proeminência a questão da pobreza menstrual condizente à precariedade na aquisição de absorventes por motivos econômicos ou circunstanciais, ademais, em virtude de dados estatísticos, a problemática leva a debates para políticas públicas no que tange à desigualdade social existente.
Como destaque na promoção da saúde e dignidade, Mary Beatrice criou o absorvente, assim como mais tarde foram fabricados outros objetos de cuidados menstruais. Todavia, uma pequena, porém significativa, parte da população brasileira – sobretudo moradoras de rua e presidiárias – ainda enfrentam desafios para a obtenção de tais produtos em razão da falta de informação, apoio e saneamento necessários. Diante disso, algumas pessoas passam a adotar jornais, folhas ou até miolo de pão durante o período menstrual para suprir a falta de itens ideais de higiene, ocasionando variados riscos para a saúde íntima.
Concomitantemente a isso, conforme Miriam Goldenberg (antropóloga), uma em cada quatro meninas brasileiras se ausentam na escola pelo fato de não terem absorventes e, dessas, metade nunca comentaram sobre o assunto em sala de aula, por causa disso a pobreza menstrual faz com que jovens se afastem dos estudos. Ademais, de acordo com dados do relatório Livres para Menstruar, uma pessoa que menstrua gasta cerca de, ao menos, R$ 6 mil reais no decorrer de sua vida com a compra destes utensílios, o que para a população que se encontra em situação de vulnerabilidade social, representa mais de 3 anos de trabalho durante a vida para custeá-los. Visto isso, este material íntimo ainda não é considerado um item prioritário pelas políticas públicas do Brasil.
Em virtude dos fatos mencionados, é evidente que o Governo Federal deve distribuir cestas básicas de saúde íntima com absorventes e papel higiênico por meio da ajuda das Organizações Não Governamentais, além de disponibilizar tais materiais também em postos de saúde (de preferência biodegradáveis), tendo como fito a ajuda às moradoras de rua e às mulheres presidiárias. Outrossim, o SUS, assim como oferece preservativos, deve também oferecer absorventes gratuitos. Por fim, tais medidas farão valer a Recomendação 21 (2020), a notoriedade pública e presença nos debates Governamentais, amenizando o tabu e a desigualdade social.