Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 15/10/2021

Os absorventes descartáveis usados atualmente, se popularizaram no Brasil por volta da década de 50, trazendo mais conforto para quem os usassem, substituíndo métodos tradicionais de evitar o escape de sangramento, como por exemplo, a utilização de panos. Entretanto, ainda nos dias de hoje a menstruação é um tabu, segundo uma pesquisa realizada pela marca Johnson & Johnson em 2018, 54% das mulheres não tinham conhecimento suficiente sobre menstruação em suas menarcas. Embora a utilização de absorventes descartáveis tenha se inserido na sociedade brasileira há décadas, ainda existem muitos cidadãos de baixa renda que recorrem a métodos convencionais por falta de acesso ao produto higiênico básico.

Primordialmente, é necessário compreender que o preconceito menstrual surgiu nas primeiras sociedades, onde o sangue era visto como sujo e tóxico e essa ideia permaneceu durante centenas de anos. Até mesmo na Bíblia Sagrada, a menstruação é associada à impureza, de acordo com o livro mais vendido do mundo, a mulher ficará impura durante o período menstrual de sete dias e tudo que nela tocar também ficará. Esse tabu é muito preocupante até os dias atuais, porque gera desinformação durante e após a menarca, além disso, faz com que muitos indivíduos sintam vergonha e nojo de um simples processo natural do corpo humano, o que pode, inclusive, impedir adolescentes e adultos de pedirem ajuda.

Ademais, o absorvente atual não é um produto gratuito, embora esteja associado à saúde pública, algumas pessoas de baixa renda precisam usar o pouco de seu dinheiro para garantir absorventes e evitar possíveis infecções e doenças. Não apenas precisam realizar a compra do produto, como também trocá-los a cada 4 horas, pois a vagina é uma região quente e úmida e a liberação do sangue ao percorrê-la, incorpora bactérias, portanto, caso o mesmo absorvente seja usado por um longo tempo, pode ocorrer a proliferação de bactérias e causar infecções, além de um odor desagradável. Por isso, as pessoas com poucos recursos precisam de um número adequado do produto, o que pode ser um obstáculo devido ao valor que já está sendo retirado de outras necessidades.

Dessa maneira, é evidente a necessidade de medidas para melhorar a situação. O Ministério da Mulher deve investir em projetos sociais, levando absorventes para pessoas de baixa renda, materiais educativos e informativos sobre menstruação e incentivem a fabricação do produto higiênico de baixo custo. Assim, muitas crianças e adultos sem acesso à informação menstrual poderão se prevenir de infecções e constragimentos antes e depois da menarca, promovendo a desconstrução desse tabu que tanto prevalece na sociedade.