Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 15/10/2021

Até quando vale a pena ignorar a existência de um fator biológico por pura convenção social?

Encontra-se a desigualdade social e de gênero em vários âmbitos diferentes, inclusive no que se diz respeito ao ciclo menstrual e acessibilidade de produtos que devem ser utilizados durante esse período: a ausência do básico impede as mulheres de baixa renda de cumprirem suas tarefas e se aperfeiçoarem assim como quem não possui útero, e essa falta de assistência se deve resumidamente ao tabu que envolve a temática da menstruação e também o descaso do governo em relação a isso.

Primordialmente, é necessário entender que os estigmas, mais conhecidos como tabus, sobre este fenômeno natural que acontece exclusivamente com mulheres ou homens transsexuais que ainda não passaram pela cirurgia de transição, são a principal causa de todos os outros empecilhos relacionados ao difícil acesso de absorventes e todas as circunstâncias envolvidas nisso. Ter que evitar falar sobre estar menstruada desde pequena, ser ensinada a esconder que “virou mocinha” e tratar disso como se fosse um segredo se tornou uma tradição social que implica, direta e indiretamente, na situação de pobreza menstrual que o Brasil se encontra hoje.

Assim que entende-se que falar abertamente sobre menstruação é dado como vergonhoso, logo é compreensível, embora não aceitável, a pouca atenção que o sistema governamental dedica a esse assunto da higiene menstrual: segundo a Unicef, 4 milhões de meninas não conseguem fazer uso de produtos de higiene básica por conta de problemas financeiros, e por isso acabam faltando nas aulas na escola e ficando incapacitadas de fazerem outras tarefas importantes no geral, e 1,5 milhão delas não possuem nem saneamento básico ou sequer um banheiro em suas casas. Esses dados são apenas 2 de milhares outros microfatores. O descaso é tanto que o próprio presidente, Jair Messias Bolsonaro, vetou a lei de distribuição gratuita de absorventes.

Para finalizar, conclui-se que os estigmas atrelados ao período menstrual devem ser quebrados através de inquietações sociais e debates por parte das minorias afetadas e grupos de ativismo feminista para que o tópico ganhe mais atenção e garotas possam se sentir mais a vontade sobre o respectivo tema e assim o governo se sentir pressionado para fazer sua parte por meio de políticas públicas com finalidade de distribuir absorventes gratuitamente, vide que este não é um produto cosmético e sim de direito, até que todas ou pelo menos a grande maioria das meninas e mulheres parem de sofrer de infecções ou sejam impedidas de exercerem suas funções devido à menstruação.