Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 15/10/2021

A pobreza menstrual no Brasil é incrivelmente comum. A falta de acesso e incentivo a produtos para a higiene menstrual, até hoje tida como tabu, é bem precária e aflige parte da população que possui um útero. Com a sociedade ainda patriarcal e a falta de políticas públicas, a importância da conscientização sobre o assunto ainda é pouco vista, mesmo que esse tema tenha forte impacto na saúde pública e no âmbito social e econômico.

É inegável que o acesso - e o estímulo - a produtos para a menstruação é escasso. De acordo com o relatório “Livre para menstruar” elaborado pelo movimento Girl Up, uma a cada quatro jovens não possui um absorvente durante seu período menstrual. Tendo em vista que 20% das adolescentes não possuem água potável em casa e 200 mil estão em escolas com banheiros sem condições de uso - conforme o mesmo relatório -, é perceptível que a higiene menstrual ainda não tem a notoriedade que precisa. O assunto é tido como “uma questão de saúde pública e de direitos humanos” pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde 2014, porém não é tratado como tal no Brasil como claramente visto. É uma humilhação que diversas pessoas, diariamente, passaram e passam por algo que deveria ser um direito da população.

Além disso, a pobreza menstrual também está relacionada a questões econômicas. Ainda segundo o relatório “Livre para menstruar”, é estimado que, com a compra de absorventes, uma pessoa gasta de R$ 3 mil a R$ 8 mil reais em sua vida. Em um país onde 55 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza - conforme os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - e um quarto da população tem renda inferior a R$ 406 por mês, os dados ficam mais alarmantes e assustadores. É por esse motivo que absorventes deveriam ser distribuídos gratuitamente para todas as pessoas que não possuem condições de comprá-los.

Em virtude dos fatos mencionados, é necessário que o Governo Federal juntamente a órgãos governamentais - como a ONU - distribua gratuitamente absorventes para pessoas em necessidade, em cestas básicas destinadas à população pobre, em escolas públicas e em postos de saúde. O Estado também será responsável por criar eventos, feiras culturais e projetos que visem os benefícios da higiene menstrual para pessoas - principalmente jovens - que não possuem conhecimento no assunto. Isso será feito com a verba do próprio governo, escolhendo locais, profissionais no assunto, materiais, equipamentos, recursos - que serão utilizados - e absorventes - que serão distribuídos. A divulgação será feita por campanhas publicitárias e por meios de comunicação, a fim de que esse problema da pobreza menstrual diminua e seja, enfim, algo do passado.