Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 15/10/2021
O ciclo menstrual feminino é involuntário e inevitável, com seu início ainda na adolescência, e, apesar de ser um fator biológico em que nenhuma mulher sai impune, há um grande tabu estabelecido na sociedade, como se falar sobre o assunto fosse algo proibido. Durante anos as mulheres usaram panos absorventes para absorver o sangue da menstruação, até que os absorventes descartáveis foram criados, trazendo maior conforto, praticidade e higiene. Apesar da criação, eles pertencem a outra realidade para alguns, que não têm condições financeiras de comprá-los todo mês.
Em 18 de agosto deste ano, durante uma live de yoga em seu instagram, a bailarina Aline Riscado menstruou ao vivo e os telespectadores perceberam, pois usava uma calça de ginástica branca, porém, mesmo seguindo normalmente e explicando que é algo normal para as mulheres, foi alvo de muitas críticas, mostrando mais uma vez como a censura dos fatos está presente sempre.
Diante do cenário atual, onde o presidente Jair Bolsonaro vetou a distribuição gratuita de absorventes a mulheres de baixa renda, muito se tem discutido acerca da necessidade higiênica da população feminina. Segundo dados, 1 em cada 4 jovens já deixou de sair de casa por estar menstruada e não ter absorvente para utilizar ou dinheiro para comprar. Após o veto, os estados do Rio de Janeiro e Distrito Federal divulgaram que irão distribuí-los gratuitamente para sua população.
Depreende-se, portanto, que a mulher não escolhe menstruar e precisa ter acesso a produtos de higiene regularmente, tendo condições ou não de investir neles. Nessa perspectiva, é preciso que o Ministério da Mulher e o Ministério da Saúde desenvolvam caminhos e ideias, por meio da ajuda da população feminina, com o fito de convencer as autoridades a voltarem atrás da paralisação. Assim, será possível atenuar a problemática relacionada à falta de apoio público às mulheres quando em seus períodos menstruais.