Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 15/10/2021
Em “O Cortiço”, livro do século XIX, Aluísio Azevedo retrata a realidade de pessoas segregadas da sociedade, evidenciando sua invisibilidade humana e carência ao acesso dos direitos constitucionais. Analogamente à obra, milhares de brasileiros sofrem com a pobreza menstrual, em razão da ineficiência do Estado e da ignorância do assunto pela sociedade. Logo, medidas são fundamentais para resolver o impasse.
Em primeira análise, nota-se que, segundo o contratualista John Locke, a administração superior existe para garantir as necessidades naturais do povo. Nessa perspectiva, é indubitável que o regime político falha com a camada popular da sociedade, uma vez que, devido à sua condiçao socioeconômica, é prejudicada pela indigência menstrual, isto é, a deficiência no alcance a itens básicos de saúde e informação sobre o mênstruo. Dessa forma, a marginalização dos indivíduos mais vulneráveis do corpo social opõe-se à ideologia do pensador citado anteriormente.
Ademais, o estereótipo de menstruação como “tabu” impossibilita possíveis discussões acerca do tema, reprimindo a vivência de pessoas que menstruam. Por conseguinte, ideias preconceituosas e inexperientes são disseminadas, tornando o problema ainda mais grave. Assim, configura-se um “Elipse de consciência” na massa social que, de acordo com o escritor José Saramago, é definido pela falta de sensibilidade de um cidadão com as adversaridades enfrentadas pelo próximo.
Portanto, cabe ao Governo Federal, em parceria com o Ministério da Saúde, distribuir produtos de saúde para os desfavorecidos, por meio de suas entregas em postos públicos, a fim de promover a mitigação da situação. Além disso, o Ministério da Educação, responsável pela formação intelectual da população, deve promover rodas de conversa a respeito da temática, por intermédio das aulas de Ciências Biológicas, com a finalidade de desconstruir prejulgamentos. Destarte, cenários como o de “O Cortiço” não voltarão a acontecer.