Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 15/10/2021

A Constituição Federal prevê o acesso à saúde como um direito básico que deve ser garantido à população brasileira. No entanto, essa não é a realidade com a qual nos deparamos no país, uma vez que, segundo uma pesquisa da marca de absorvente Always, quase 30% das mulheres brasileiras já deixaram de comparecer a algum compromisso por não terem dinheiro ou acesso gratuito a absorventes, fato que deixa explícito a questão da pobreza menstrual pela qual inúmeras mulheres passam todos os anos no Brasil.

É primordial ressaltar que o absorvente não é considerado um item de higiene pessoal essencial, o que implica na sua não distribuição em postos de saúde e, consequentemente, na falta de acesso a esse item por parte da população que depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde, o SUS. Ademais, a menstruação ainda é considerada um tabu que na maioria das vezes resulta na omissão de conversas em ambientes escolares e até mesmo familiares sobre o assunto, de tal forma que é minimizado o acesso ao conhecimento de mulheres sobre as mudanças que ocorrem no próprio corpo durante esse período.

Outrossim, em um país onde, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 14 milhões de brasileiros estão desempregados e 30% dos trabalhadores vivem com apenas um salário mínimo de mil e cem reais, a compra de um pacote de absorventes acaba ficando atrás de uma série de outros itens como as contas da casa, aluguel e compra de comida que, geralmente, visto a situação atual da nação, acabam por levar quase todo o dinheiro ganho no mês. Por esse motivo, muitas mulheres passam a utilizar pedaços de pano ou papel no lugar do item de higiene, além de muitas deixarem de comparecer à escola, resultando em uma defasagem na educação das pessoas atingidas por esse problema.

Portanto, é evidente a necessidade de um maior investimento na área da Saúde no que tange a questão da distribuição gratuita de absorventes em postos de saúde, assim como é feito com camisinhas. Tal ação deve ser realizada pelo Governo Federal, cortando gastos de outras áreas visando aumentar os investimentos na Saúde. Além disso, cabe ao Ministério da Educação a criação de campanhas que conscientizem os alunos sobre a importância da quebra de estigmas sobre a menstruação, normalizando o assunto através de rodas de conversa e palestras em escolas, além do fornecimento de itens de higiene em banheiros dessas instituições.